Sem categoria

Belo x Ferroviária: Fechado por motivo de Botafogo-PB

CBN Paraíba

CBN Paraíba

CBN Paraíba

Botafogo-PB x Ferroviária: Belo vence e confirma a liderança na Série C.

Cristiano Santos / Botafogo-PB

Ontem mesmo eu recebia em mãos o fantástico livro do escritor uruguaio Eduardo Galeano, “Fechado por Motivo de Futebol”, e comecei a lê-lo avidamente, encantando-me e me embalando com as histórias sobre “a única religião sem ateus do mundo”.

Foi um autopresente que chegou desavisadamente nesse sábado (24) pelos Correios.

Abri-o de imediato. Instantaneamente comecei a me emocionar, a me impactar com o que lia, empolgando-me por perceber que dali a algumas horas também eu estaria num estádio de futebol.

E foi ali naqueles momentos anteriores ao jogo do Botafogo-PB, ainda impactado com o magnífico título do livro, que eu reforcei a minha tese de que o torcer é muito mais do que assistir a um jogo de futebol. Torcer, para além de assistir, é se tornar cúmplice, partícipe, responsável, testemunha, protagonista.

Torcer não é apenas viver o futebol, é ser o futebol.

No caso desse sábado, acompanhado de outros milhares, o encontro seria no Estádio Almeidão, para assistir a mais um jogo do Botafogo-PB na Série C, dessa vez contra a Ferroviária, ressignificando a própria vida, a própria existência, o próprio ritual cotidiano de ir ao encontro do futebol.

Na verdade, como já antecipei, o futebol está em nós. É parte intrínseca da existência torcedora. Ainda assim, vai-se ao encontro do futebol no instante em que ele se transforma em centralidade maior. No instante, portanto, em que o torcedor vai ao encontro de si mesmo.

É quando incorro ao título do livro de Galeano e subverto-o em favor do líder isolado da primeira fase do Campeonato Brasileiro da Série C de 2024.

Fechado por motivo de Botafogo-PB, amigo. Volte mais tarde. Ou nem volte, se não for para falar da vitória por 2 a 0 em cima da Ferroviária, até então o último dos invictos da Série C deste ano e que ainda não tinha levado mais de um gol em uma mesma partida da competição.

Fechado por motivo de Botafogo-PB porque, afinal, enquanto o Belo joga, nas horas que antecipam a partida até a primeira hora após o apito final, a vida converge para o futebol, para o jogo, para o Belo, para o campo, a arquibancada, o torcer, o sonho, a magia, a esperança.

Eu sei, eu sei!

Nada é mais perigoso, nada é mais incrivelmente bonito de se observar, do que um torcedor esperançoso.

Esperança, afinal, não é certeza de nada. Nem de que sim, nem de que não.

Esperança, insisto, não é nada mais do que a mais sublime percepção de que “pode ser que dê”, de que “este ano tem tudo para ser diferente”, de que “este ano vai”.

Calma!

O fato inescapável, entretanto, ao menos por ora, é que vai começar agora uma nova competição. Bem mais curta do que essa que se encerra, e que todos os clubes que seguem vivos recomeçam com pontuação zerada.

Não importam mais os 41 pontos conquistados, a liderança isolada, as 12 vitórias, os 33 gols marcados, os 12 gols de saldo positivo, a invencibilidade em casa.

São mais seis jogos, seis semanas, seis histórias, seis capítulos, seis novas possibilidades de sonhar. Um sonho que, diga-se, já perdura onze anos.

De resto, eu não sei de mais nada.

Mas sei que, nesses próximos seis encontros com o imponderável, seguirei fechado por motivo de Botafogo-PB.

Compartilhe

Anterior
Paralimpíadas de Paris 2024: aos 18 anos, Laissa Guerreira vai para sua 1ª paralimpíada
Próximo
Radiotelescópio que mapeia energia escura do universo entra na fase final de montagem no Sertão
Veja também
Radiotelescópio que mapeia energia escura do universo entra na fase final de montagem no Sertão
Paralimpíadas de Paris 2024: aos 18 anos, Laissa Guerreira vai para sua 1ª paralimpíada