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Série ‘Santinhas, as milagreiras da Paraíba’ conta a história de meninas consideradas santas

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Série ‘Santinhas, as milagreiras da Paraíba’ estreia nesta terça-feira (6)..

Beto Silva/TV Paraíba

Os milagreiros são pessoas que, depois de mortas, são vistas como capazes de realizar milagres, segundo a crença popular. A partir desta terça-feira (6), a série “Santinhas, as milagreiras da Paraíba” vai contar quatro histórias paraibanas.

As reportagens vão abordar a história da menina Francisca de Patos, da menina de Amparo, da menina de Dona Inês e de Maria de Lourdes, do Cemitério da Boa Sentença, em João Pessoa.

A série traz diálogos com devotos, testemunhas das devoções, bem como pesquisadores nas áreas de história e antropologia, com enfoque em religiosidade e a questão da morte.

Como se faz um santo?

Apesar dos milagreiros serem fruto do catolicismo popular, na maioria das vezes, não são reconhecidos pelo Vaticano, como destaca o historiador Lucas Medeiros.

“São pessoas que foram tratadas após a morte como objeto de devoção, como intermediadores com o sagrado. E isso não depende do reconhecimento oficial da igreja. Evidentemente, tem muitas pessoas que são tratadas como santos populares e ocupam também os espaços institucionais ligados ao Vaticano, né? Que é o caso do Frei Daminhão de Balzano, do Padre Cícero e de tantos outros”.

A maioria dos milagreiros teve vidas difíceis e mortes trágicas, frequentemente ligadas a injustiças. Tais características despertam uma nos devotos uma conexão emocional, como explica Laércio Araújo, historiador e pesquisador sobre a morte e as emoções fúnebres na Paraíba entre 1850 e 1930.

“São as emoções que conectam os milagreiros com os devotos. Assim, as devoções populares passam a atuar entre os vivos como mediadoras no contato com o divino e com o transcendente”, afirmou.

É importante lembrar que a maioria destas histórias é contada pela oralidade. A menina Francisca de Patos, por exemplo, foi morta pela patroa, após esquecer uma janela aberta. Maria de Lourdes do Cemitério da Boa Sentença, em João Pessoa, foi espancada até a morte, por causa de uma injusta acusação de roubo. Já as meninas de Amparo e Dona Inês teriam morrido de fome e sede.

“Foram mulheres que sofreram violência doméstica, foram crianças vítimas de exploração sexual, foram crianças vítimas de acidentes, foram homens injustiçados pelo regime político, então tanto a vida dessas pessoas foram difíceis na maioria dos casos quanto é o processo da morte também”, destaca o historiador Lucas Medeiros.

Assim, os devotos procuram as milagreiras e, muitas vezes relatam que as preces foram ouvidas. Foi o caso de Erivaldo Joaquim que atribui à milagreira de Amparo a graça de ter voltado a andar após um acidente de moto.

Em agradecimento, um ano depois, ele levou a escultura de uma perna até a capela. Esse tipo de objeto é chamado de ex-voto e é oferecido a santos e milagreiros após uma graça alcançada.

“Os médicos disseram que eu ia ficar de cadeira de rodas. Aí fizeram essa promessa para mim, aí eu eu, graças a Deus, melhorei, voltei com três meses a conseguir me locomover, andar. Não normal, mas pelo menos um pouco um pouco de dificuldade, mas consegui, né? Aí, quando foi depois vim pagar a minha promessa aqui”.

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