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As 6 prioridades imediatas para cooperativas e pequenos negócios da Paraíba

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					As 6 prioridades imediatas para cooperativas e pequenos negócios da Paraíba

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No momento em que o país acompanha os desdobramentos da COP 30, em Belém, torna-se inevitável revisitar o conceito de sustentabilidade em seu sentido mais amplo. Não se trata apenas da visão fragmentada que popularizou o ESG, mas de uma compreensão integrada que abrange dimensão econômica, social, ambiental e institucional. São fundamentos sem os quais nenhum empreendimento prospera de forma consistente.

Conectando minha atuação de consultoria com a vivência acadêmica, passei oito dias na Paraíba em novembro, visitando João Pessoa, Campina Grande, Itabaiana, Alhandra e Santa Rita. Em cada município, ouvi cooperados, dirigentes, empreendedores e agentes públicos. A partir desse percurso, emergiram seis prioridades comuns às cooperativas e aos pequenos negócios do Estado — válidas, aliás, para todo o Brasil.

A primeira é fortalecer a cultura da cooperação. Cooperar é mais do que dividir tarefas: é construir escala, reduzir custos operacionais, ampliar a capacidade de diferenciação e agregar valor aos produtos e serviços. Na Paraíba, onde muitas iniciativas ainda atuam de forma isolada, o estímulo à intercooperação pode transformar estruturas frágeis em redes robustas e economicamente sustentáveis.

A segunda prioridade diz respeito à formação de lideranças. Em um ambiente organizacional cada vez mais complexo, liderar exige mais do que conhecimento técnico. Exige capacidade de mobilizar pessoas, alinhar comunicação e sustentar decisões coerentes com a estratégia do empreendimento. Esse desafio é particularmente presente em cooperativas, onde o modelo democrático requer líderes preparados para conciliar governança, participação e eficiência.

A terceira urgência é reduzir a dependência estrutural do poder público, especialmente das prefeituras. Muitos empreendimentos nascem e crescem vinculados a programas governamentais, mas sem um plano de negócios sólido e sem autonomia financeira, a perenidade fica comprometida. Construir modelos sustentáveis passa por dominar técnicas de planejamento, desenvolver projetos competitivos e acessar fontes diversificadas de financiamento.

A quarta prioridade envolve aprimorar a gestão de processos. Produtividade e competitividade não são resultados casuais; são consequências de métodos de gestão testados, monitoramento contínuo e adoção de tecnologias acessíveis. Na Paraíba, há um enorme potencial de ganho operacional, sobretudo em cooperativas de produção, serviços e reciclagem, onde pequenos ajustes podem gerar avanços significativos.

A quinta prioridade é a adoção da tomada de decisão baseada em evidências. O tempo do “achismo” ficou para trás. Dados, indicadores e análises devem orientar desde a definição do público-alvo até a elaboração de estratégias de mercado. Há, inclusive, talentos locais desenvolvendo soluções digitais de alto impacto, capazes de oferecer diagnósticos precisos e insights estratégicos em tempo real.

Por fim, a sexta prioridade — e talvez a mais estratégica — é incorporar a sustentabilidade ao cotidiano das organizações. Na Paraíba, as cooperativas de reciclagem são verdadeiros exemplos de compromisso ambiental. Em uma delas, uma associada me disse que seu trabalho era “garantir o futuro do planeta” e que era doloroso perceber que muitas pessoas instruídas ainda não despertaram para a gravidade do tema. Sem mudança de comportamento, permanecemos presos ao discurso, distantes da prática.

Se essa também é a agenda da sua organização, o debate permanece aberto. A construção de caminhos mais sólidos para as cooperativas e para os pequenos negócios depende justamente da troca de experiências, do diálogo qualificado e da capacidade coletiva de formular soluções. Contribuir para esse processo — seja pela reflexão, seja pelo compartilhamento de práticas — é sempre uma oportunidade valiosa para fortalecer o ecossistema paraibano e, em perspectiva, o desenvolvimento do país.

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Sobre Emanuel Malta

Emanuel Malta é economista, mestre em Economia Rural, MBA em Gestão Empresarial e doutorando em Ambiente e Desenvolvimento. Com experiência em governos, cooperativismo, consultoria e academia, é sócio-fundador da Vértice Consultores e referência em temas de estratégia, gestão, projetos, governança cooperativa e sustentabilidade/ESG

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