Seja dentro de campo, à beira do gramado ou nas pistas de atletismo, as mulheres paraibanas vêm ocupando espaços cada vez mais diversos dentro do esporte. No Dia Internacional da Mulher (8), histórias de profissionais que atuam em áreas distintas no esporte ajudam a mostrar como essa presença feminina se consolida cada vez mais em diferentes funções e modalidades, em ambientes que muitas vezes ainda são predominantemente dominados por homens.
Mulheres paraibanas que constroem caminhos no esporte. (Fotos: Ismar Foto/Diventare Press/ Jhony Inácio/Ag. Paulista / Wagner Carmo/Panamerica Press/CBAt)
No apito: a presença feminina na arbitragem
Uma das personagens de destaque no futebol paraibano é a árbitra Ruthyanna Camila, natural de Patos e atualmente a única mulher no quadro de arbitragem da Federação Paraibana de Futebol (FPF). A relação de Ruthyanna com o apito começou ainda na adolescência, de forma inesperada.
“O interesse pela arbitragem surgiu durante minha adolescência. Eu jogava futsal e futebol e, em um campeonato amador de base na minha cidade, faltou um árbitro. Como eu era do meio do esporte, fui ajudar a compor a equipe para que o jogo fosse realizado”, contou.
Ruthyanna Camila, do quadro da CBF. (Foto: Kiyoshi Abreu)
Após fazer o curso de arbitragem em 2015, Ruthyanna passou a integrar o quadro da federação. Com o tempo, ganhou espaço em partidas importantes do futebol paraibano e, em 2019, passou a atuar com mais frequência em jogos relevantes.
Mesmo em um ambiente ainda majoritariamente masculino, a árbitra destaca que as mulheres vêm conquistando espaço gradualmente na arbitragem. Ela também relembra episódios em que sofreu críticas pelas decisões tomadas em campo pelo fato de ser mulher.
“A profissão da arbitragem tem desses momentos de questionamentos e críticas, mas foi a profissão que eu escolhi e estou capacitada para lidar com essas situações. É um ambiente muito masculino, mas estamos buscando o nosso espaço cada vez mais e mostrando que temos potencial para arbitrar qualquer partida”, desabafou.
Ruthyanna também falou sobre como é ser a única integrante feminina no quadro de arbitragem da FPF e o significado dessa representatividade.
“Fui a primeira em várias situações e jogos, mas não sou e nem serei eterna. Apenas estou no quadro hoje, e para que o trabalho tenha continuidade é necessário que venham outras com a mesma dedicação e coragem”, finalizou.
À beira do campo: liderança feminina no comando técnico
Outro nome de destaque é o da treinadora Gleide Costa, natural de Uiraúna, no interior da Paraíba. Com trajetória consolidada no futebol feminino, ela conquistou seis títulos do Campeonato Paraibano Feminino comandando o time do Botafogo-PB e atualmente dirige a equipe da União Desportiva Alagoana.
Gleide Costa fez história no Botafogo-PB. (Foto: Allan Hebert/Botafogo-PB)
Gleide atua como treinadora desde 2009 e relata que, ao longo da carreira, percebeu diferenças na forma como mulheres e homens são vistos dentro do futebol.
“Ao longo desses quase 17 anos de atuação enfrentamos algumas situações que sentíamos que eram pelo simples fato de ser mulher, principalmente no início. Na época, quando a arbitragem era masculina, qualquer contestação nossa parecia soar como afronta à competência deles, enquanto a mesma demanda vindo de um treinador era mais facilmente aceita”, relatou.
Mesmo com avanços nos últimos anos, a treinadora acredita que ainda há muitos espaços a serem ocupados por mulheres dentro do futebol e incentiva outras profissionais a seguirem esse caminho.
“Recentemente participei de um curso de treinadores da Confederação Brasileira de Futebol e era a única mulher entre treinadores e professores. Isso mostra que as mulheres ainda têm muito campo para desbravar e precisam ocupar esse espaço que historicamente sempre foi masculino”, completou.
Nas pistas: a força paraibana no atletismo olímpico
Já nas pistas de atletismo, a paraibana Andressa Morais é um dos principais nomes do esporte brasileiro na modalidade. Natural de João Pessoa, a atleta do lançamento de disco já participou de quatro edições dos Jogos Olímpicos e acumula conquistas importantes em competições nacionais e internacionais.
Andressa de Morais competindo em Lima. (Foto: Wagner Carmo)
Andressa conta que o contato com o atletismo começou ainda na infância, influenciado pela família.
“Eu comecei no atletismo desde nova, com 11 anos de idade. Meus pais sempre quiseram que eu estudasse e fizesse alguma atividade física, e minha mãe já praticava lançamento de disco e peso”, contou.
A atleta lembra que começou treinando diferentes provas de lançamento e rapidamente passou a se destacar em competições regionais e nacionais.
Andressa é a atual recordista sul-americana no lançamento de disco, mas comenta que, apesar do crescimento do esporte feminino, algumas modalidades ainda precisam de mais visibilidade.
“Nós, mulheres, estamos ganhando muito espaço no esporte, e isso é muito importante. Agora o atletismo, principalmente o lançamento de disco, precisa ser uma prova mais conhecida, mais divulgada para que as mulheres tenham interesse de praticar a modalidade”, disse.
Entre o apito, a área técnica e as pistas, a trajetória das três paraibanas ajudam a ampliar a presença das mulheres em espaços que, por muito tempo, foram ocupados majoritariamente por homens.
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