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O presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Marcus Vinícius Fernandes Neves, voltou a negar, nesta terça-feira (18), qualquer intenção de privatização da estatal.
A declaração foi feita durante audiência pública na Câmara Municipal de João Pessoa, em meio a críticas recorrentes da população sobre falhas no abastecimento de água e deficiência no esgotamento sanitário na capital.
A desconfiança ganhou força nos últimos meses, especialmente após o avanço do processo para concessão, por meio de Parceria Público-Privada (PPP), dos serviços de esgotamento sanitário nas microrregiões do Litoral e Alto Piranhas. O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 3 bilhões ao longo de 25 anos.
Diante das críticas, Marcus Vinícius sustentou que as ações recentes do governo vão na contramão de qualquer tentativa de sucateamento da empresa. Segundo ele, a Cagepa vem passando por um processo de reestruturação e modernização.
“Se nós estivéssemos sucateando a empresa, não estaríamos restaurando os reservatórios. Já recuperamos mais de 240 em todo o estado. Também não renovaríamos a frota nem investiríamos em novas tecnologias para melhorar o abastecimento. Era mais simples dizer que não havia recursos, mas fomos a Brasília buscar investimentos. A Cagepa é um patrimônio do estado”, afirmou.
Leilão está previsto para maio
O leilão da PPP está marcado para o próximo dia 15 de maio. De acordo com a Cagepa, a parceria busca alinhar a prestação do serviço às diretrizes do Novo Marco Legal do Saneamento Básico do Brasil, com metas de eficiência energética e hidráulica, além de atendimento contínuo à população.
A iniciativa integra ainda os Planos Regionais de Saneamento Básico das duas microrregiões, que reúnem municípios atendidos pela Cagepa dentro do modelo regionalizado de prestação do serviço.
Apesar das justificativas do governo, os indicadores recentes reforçam a pressão por melhorias. Dados divulgados nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil mostram que João Pessoa perdeu 14 posições no ranking nacional de saneamento básico, um sinal de alerta em meio ao debate sobre os rumos da política pública no setor.

