Mesmo após promessa de retorno, alunos do Ensino Fundamental seguem sem um único dia de aula em 2026; mães denunciam “descaso” e “uso político” da educação.
O que deveria ser o primeiro dia de aula para centenas de alunos do Ensino Fundamental do Colégio Militar da Paraíba, em João Pessoa, tornou-se mais um dia de indignação. Nesta segunda-feira (13), pais e responsáveis se concentraram em frente ao anexo da unidade para cobrar respostas do Governo do Estado e da Secretaria de Educação, denunciando que, desde fevereiro, os estudantes não tiveram sequer um dia de atividade letiva.

“Um ano letivo comprometido”
A principal queixa das famílias é o silêncio das autoridades. Segundo Stephanie Batista, mãe de aluno, havia uma expectativa de que as aulas começassem hoje, mas nenhuma confirmação oficial foi enviada nos canais de comunicação da escola.
“Nos encontramos sem informação. Já recorremos à Secretaria de Educação, ao Ministério Público e à Gerência de Ensino. Enquanto isso, nossos filhos estão em casa, ansiosos e com o ano letivo totalmente comprometido. O primeiro bimestre já se foi”, desabafa Stephanie.
A mãe ressalta a gravidade da situação: “Se quiséssemos retirar nossos filhos hoje, nenhuma escola os receberia, porque eles não têm uma única nota, não estudaram um dia sequer. A rede pública começou em 10 de fevereiro e hoje, em abril, a realidade é de abandono”.
Impasse na Obra e “Mídia Política”
O ponto central do conflito é o novo prédio da unidade. Segundo os relatos, embora a Suplan e a gerência regional afirmem que a obra está pronta, a realidade visível é de uma estrutura ainda inacabada, especialmente na área da quadra.
Stephanie critica duramente as declarações recentes de autoridades que deixaram o cargo afirmando que a obra estava “99,9% concluída”:
“Será que nossos filhos não valem esse 1%? Será que o descaso é porque estão esperando uma agenda política para inaugurar o prédio com holofotes e imprensa? Para mim, não vale a pena corromper a educação dos nossos filhos por mídia política”, questiona a mãe.

O que dizem os órgãos oficiais
Os pais relatam que a direção da escola tem sido transparente, mas que a solução depende exclusivamente da Secretaria de Educação. Entre as justificativas dadas aos pais em reuniões anteriores, foram citadas desde a falta de bebedouros até a ausência de mesas no refeitório como entraves para o início das aulas.
O diretor da escola, Coronel Edmilson de Castro, afirma que ainda essa semana deve definir uma data para o início das aulas.
“A gente participou de uma reunião semana passada para ajustar algumas coisas porque tínhamos aí uma pendência junto ao comando ao corpo de bombeiros e já foi sanado esse problema. Mas, estamos ajustando, porque eu só recebi hoje o colégio. Então, eu estou com o pessoal dentro da escola fazendo a limpeza, ajustando a cozinha, as salas de aulas, instalando os equipamentos para a gente poder ter realmente os alunos em sala de aula e também podermos trabalhar no interior do colégio.”
Uma audiência no Ministério Público está agendada para a próxima quarta-feira, dia 15, na tentativa de forçar o Estado a apresentar um cronograma definitivo.
A reportagem também entrou em contato com a Secretaria de Educação do Estado, mas, até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.
Ouça a reportagem de Renan Mesquita:




