Foto/Walter Firmo.
23 de abril. Não é só o dia dedicado a São Jorge. É o Dia Nacional do Choro. A data é uma homenagem ao compositor Pixinguinha, que nasceu no Rio de Janeiro em 23 de abril de 1897 e morreu, também no Rio de Janeiro, em 17 de fevereiro de 1973.
Batizado Alfredo da Rocha Vianna Filho. Pixinguinha. Compositor, arranjador, saxofonista, flautista. Era um santo. O único santo da música popular brasileira.
“A bênção, Pixinguinha, tu que choraste na flauta todas as minhas mágoas de amor” – escreveu Vinícius de Moraes na letra do Samba da Bênção.
Como Pixinguinha, o choro também nasceu no Rio de Janeiro, na segunda metade do século 19. Está para o Brasil como o jazz está para os Estados Unidos.
O jazz dos pretos americanos surge no Novo Mundo e floresce ao longo do século 20 a partir da fusão dos instrumentos europeus com os ritmos da África.
O choro brota nos quintais do Rio, ainda no Brasil Império, e nele, alegre ou triste, as matrizes africanas se encontram com gêneros populares da Europa.
O jazz é uma invenção estadunidense. O choro é uma invenção brasileira. Expressões musicais que se afirmaram como representações de povos em formação.
23 de abril é o dia do nascimento de Pixinguinha. Por isso, é o Dia Nacional do Choro. Mas é também o dia do nascimento de Severino Araújo, outro mestre do choro.
Severino Araújo, o maestro da Orquestra Tabajara, compôs uma série de choros. Pelo menos um deles – Espinha de Bacalhau – está na antologia do gênero.
Na coluna desta quinta-feira, 23 de abril de 2026, trago uma lista de 20 clássicos do choro. Fui lembrando das melodias e anotando o título e o autor.
Um não é melhor do que o outro. Um não é mais importante do que o outro. Apenas moram na minha memória afetiva. E são todos merecedores de uma playlist.
Brasileirinho – Waldir Azevedo
Lamento – Pixinguinha
Tico Tico no Fubá – Zequinha de Abreu
Espinha de Bacalhau – Severino Araújo
Pedacinhos do Céu – Waldir Azevedo
Noites Cariocas – Jacob do Bandolim
Apanhei-te Cavaquinho – Ernesto Nazareth
Um a Zero – Pixinguinha
Doce de Coco – Jacob do Bandolim
Corta-Jaca – Chiquinha Gonzaga
Choro Negro – Paulinho da Viola
Choro de Mãe – Wagner Tiso
Chorinho Pra Ele – Hermeto Pascoal
Homenagem à Velha Guarda – Sivuca
Vibrações – Jacob do Bandolim
Ingênuo – Pixinguinha
Delicado – Waldir Azevedo
Um Chorinho Pra Você – Severino Araújo
Choros Número 1 – Heitor Villa-Lobos
Chorando Baixinho – Abel Ferreira
