Quinta edição da revista ‘Turma D’Agente’ // Foto: Reprodução TV Cabo Branco.. Jornal da Paraíba
Casos de abuso sexual infantil foram identificados a partir de uma revista em quadrinhos desenvolvida por estudantes do Instituto Federal da Paraíba, em Sousa, no Sertão da Paraíba. A publicação “Turma D’Agente”, que está na quinta edição, integra um projeto de extensão da instituição voltado à conscientização de crianças e adolescentes sobre violência sexual.
Além da revista, os estudantes também criaram um jogo de tabuleiro educativo para ajudar crianças e adolescentes a reconhecer sinais de abuso. Ainda durante a fase de testes dos materiais, começaram a surgir os primeiros relatos.
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Uma das extensionistas envolvidas no desenvolvimento da revista afirmou ter identificado situações vividas por ela própria após ler o conteúdo do material.
“Chegou a acontecer comigo muitas vezes, mas, assim, quando a gente participou, basicamente eu tinha o pensamento de que isso não era um abuso. Quando eu vi que na revistinha isso era um problema, eu percebi que já tinha acontecido comigo e eu não via muito problema. Quando você está acostumado com uma coisa, você começa a normalizar o que não é para ser normalizado”, relatou.
Revista do projeto de extensão – ‘Turma D’Agente’ // Foto: Reprodução TV Cabo Branco.. Jornal da Paraíba
Outros relatos surgiram quando o jogo foi apresentado na Escola Chico Mendes, em Sousa. Segundo os organizadores do projeto, após a atividade, o Ministério Público foi acionado e os casos foram encaminhados ao Conselho Tutelar.
Para a conselheira tutelar Helena Cristina Figueiredo, os materiais ajudam a criar um ambiente seguro para que crianças e adolescentes consigam falar sobre situações de violência.
“O jogo de tabuleiro acontecendo, que vai à criança e o adolescente, eles vão se abrindo ao diálogo. Então surgiu espontaneamente o relato dessa criança para a diretora, que tem um canal aberto de diálogo com eles, mas o jogo já faz com que ela se sinta segura. E por jogar e avançar ou recuar, a criança despertou para aquilo”, afirmou.
A revista também é utilizada como ferramenta pedagógica por professores e estudantes da área da educação, facilitando o diálogo sobre o tema dentro das escolas.
“Raramente as pessoas, elas tendem a falar, a relatar sobre esses temas com jovens, crianças e adolescentes e, principalmente, com as crianças, que a gente podendo utilizar uma linguagem mais dinâmica com elas, mais acessível, nós podemos fazer com que a criança possa ter consciência da gravidade sobre o assunto”, disse Carlos Eduardo Nicoli.
Reprodução/TV Paraíba
Os materiais integram o programa Saúde na Escola, do Ministério da Saúde, e são utilizados em escolas públicas. A revista em quadrinhos e o jogo de tabuleiro estão disponíveis gratuitamente no site do Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde (Ecos).
“Ele vem para realmente trabalhar a prevenção, por isso esse sonho que temos de a revista chegar em todas as escolas, esse jogo de tabuleiro chegar em todas as brinquedotecas de escolas, de PSE, de órgãos, para que juntos nós façamos mais e melhor pelas nossas crianças e adolescentes”, concluiu Helena.


