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Brian Jones, guitarrista fundador dos Rolling Stones, foi expulso da banda e morreu em 1969. Seu substituto, Mick Taylor, ficou até o álbum de 1974.
Ronnie Wood entrou no lugar de Mick Taylor e está lá até hoje. Black and Blue marca sua estreia no grupo liderado por Mick Jagger. O álbum está fazendo 50 anos.
Black and Blue foi lançado em abril de 1976. Oito faixas – quatro em cada lado do LP – distribuídas em pouco mais de 40 minutos de audição. Um petardo.
Tem a saída de Mick Taylor. Tem a busca pelo substituto. Tem, finalmente, a chegada de Ronnie Wood, que vinha dos Faces. Black and Blue é fruto desse tempo.
Rolling Stones sendo Rolling Stones. Sabem como é? Pois, em Black and Blue, muito fã acha que não é assim. São os Rolling Stones não sendo os Rolling Stones.
Sempre discordei. Em Black and Blue, os Rolling Stones, sim, são os Rolling Stones. Só que nem tudo é 100 por cento fiel ao cânone da banda. E isso é ótimo.
O disco, por exemplo, não começa com um rock. Hot Stuff, a faixa de abertura, é um funk. Cherry oh Baby – única não autoral – também não é um rock, mas um reggae.
Se Cherry oh Baby é um reggae, Hey Negrita é um quase reggae. O riff é do novato Ronnie Wood, mas a autoria é creditada à dupla Mick Jagger e Keith Richards.
O fato é que os caras estavam de olho nas tendências da música pop de então. Estavam atentos aos sinais vindos da música dos pretos. Por isso, tem funk e tem reggae.
Melody é blues. Os blues marcaram o repertório dos Rolling Stones desde o início. Aqui, Melody é um blues compartilhado com um craque dos teclados, Billy Preston.
Billy Preston, um preto americano nascido no Texas, vinha de longe. Desde a banda de Little Richard, no início dos anos 1960, e também do grupo de Ray Charles.
Billy Preston também passou pelos Beatles, nas sessões do projeto Get Back, e ele empresta seu molho tocando e cantando em Melody, o blues do Black and Blue.
Memory Motel e Fool to Cry são duas baladas devastadoras. A primeira, cantada por Jagger e Richards. A segunda, um single que foi o grande sucesso do álbum.
É apenas rock’n’ roll, mas a gente gosta. Como eles próprios dizem, não poderia faltar a assinatura da banda. Hand of Fate e Crazy Mama são rocks típicos dos Rolling Stones.
Black and Blue é um dos álbuns subestimados dos Rolling Stones. Pra mim, era um grande disco em 1976, e assim continua, 50 anos depois. O título já diz tudo.

