Foto: AL/PB. Jornal da Paraíba
Diferentemente das disputas proporcionais, a eleição para o Senado Federal não será decidida somente pelos apoios políticos. Será preciso muito mais que ter no palanque prefeitos, vereadores e outras lideranças. O voto conceitual e o capital político acumulado devem, assim como aconteceu em outros pleitos na Paraíba, ser definidores.
Um retrato desse cenário tem sido apresentado, dia após dia, já na pré-campanha com o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Rep).
Sob a escolta e o poderio político do filho, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Rep), o ex-prefeito tem obtido apoios de prefeitos em várias regiões do Estado – e procurado emplacar uma candidatura no ‘vácuo’ do segundo voto.
Nas contas de aliados, mais de 150 gestores já teriam declarado disposição em segui-lo. Alguns – como em São Bento – abandonando o seu companheiro de chapa, o ex-governador João Azevêdo (PSB).
Mas as pesquisas internas e também aquelas divulgadas recentemente no Estado sinalizam que a pré-candidatura tem dificuldade para ‘decolar’, mesmo com a força das canetas municipais.
A avaliação é de que Nabor, que teve uma gestão marcada por investigações do MPF e questionamentos junto ao TCE, não consegue se desvincular dos desgastes. E ainda sofre com o impacto negativo da imagem de Hugo, vez por outra com o nome citado no escândalo do Banco Master e em votações impopulares no Congresso.
O MPF apresentou quatro denúncias na Operação Outside, alcançando servidores da prefeitura de Patos e um suposto pagamento de propina nas obras das Alças Sudeste e Sudoeste. Nabor não foi alvo direto das denúncias. Já no TCE tramita um processo que apura o ‘sumiço’ de R$ 20 milhões em tributos da prefeitura, cujo sigilo foi imposto recentemente. Além de um outro procedimento que onde o MPC apontou para o pagamento indevido de R$ 2,6 milhões em gratificações.
Arranhões que vão dificultando a vida de um ex-gestor que precisa ter o nome ‘massificado’ no Estado, mas cuja imagem, do ponto de vista político, remete a práticas atrasadas.
A disputa pelo Senado no Estado ainda é imprevisível, como toda eleição, mas nem de longe será decidida pelo ‘voto de liderança’ – uma forma moderna de classificar o histórico ‘voto de cabresto’, onde bastava ter o apoio de forças políticas para sair vitorioso das urnas.
O cenário estadual hoje é diferente. Exige conceito positivo, modernidade no conteúdo e capacidade de convencimento pelo trabalho a ser exposto no embate público.

