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Brasil sem lateral na Copa… As razões do improviso de Ancelotti

CBN Paraíba

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O corte de Wesley a uma semana do início da Copa do Mundo expõe uma mazela do atual momento do futebol brasileiro: já não temos peças suficientes para formar uma seleção razoável.

A escolha de Éderson, preterindo Vitinho e Paulo Henrique, que estavam na pré-lista de convocados, mostra que a tal relação de 55 nomes foi só uma mera formalidade. Na vera, uma considerável parte dessa lista não está em condições de disputar uma Copa do Mundo.


					Brasil sem lateral na Copa... As razões do improviso de Ancelotti

Wesley sofreu uma lesão que o tirou da Copa do Mundo 2026.

(Foto: Karl Bridgeman/Getty Images)

Vitinho e PH são, sem sobra de dúvidas, os melhores laterais brasileiros atuando no Brasil. E isso quer dizer muito pouco. Porque é preferível improvisar por ali do que apostar em um jogador de ofício.

E o pior é que essa é uma tendência para as duas laterais. Com a saída de Wesley, o paraibano Douglas Santos passa a ser, em tese, o único lateral que está realmente jogando na posição. Danilo é zagueiro (e reserva) no Flamengo, enquanto Alex Sandro já não é unanimidade no próprio Flamengo.

O Brasil experimenta algo que jamais tinha vivido numa Copa, mas que é mais comum do que imaginamos em outras seleções: a falta de jogador. Inglaterra, Espanha, Alemanha, França… Nesses países, ter 26 jogadores de primeiro nível é quase uma utopia. Muitas vezes eles vão buscar na Série B de seus campeonatos ou até em outros países a solução para “completar o time”.


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Varela é o lateral-direito titular do Flamengo e da seleção uruguaia.

(Foto: Aizar Raldes/AFP)

Memphis Depay, da Holanda, joga no Corinthians. Fico imaginando alguém por lá analisando o futebol do atacante. Vai por absoluta falta de concorrência. Não fosse assim, iria um ainda mais desconhecido.

Voltando ao nosso problema, o Brasil simplesmente não tem laterais. E com todo cuidado para não parecer xenofóbico, muito dessa escassez vem da globalização. Nossos principais times importam jogadores de fora e impedem o desenvolvimento natural de jovens da base.

A contratação desenfreada de estrangeiros já custou uma crise sem fim na Itália, que ficou fora das últimas três Copas, e na Inglaterra, que não é campeã do mundo desde 1966.

O Campeonato Brasileiro começou com 151 estrangeiros. Na média, é quase oito jogadores de fora por time. O Grêmio iniciou a temporada com 13 gringos, um a mais que Botafogo e Santos.


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Éderson vai substituir Wesley na Copa do Mundo.

(Foto: Tim Warner/Getty Images)

Na lateral, especificamente, temos uma preferência nítida por jogadores de fora. Alguns dos principais clubes do país têm estrangeiros no elenco: o Palmeiras conta com Giay e Piquerez (que está machucado), o Flamengo tem Varela e até bem pouco tempo atrás, também contava com Viña; o São Paulo conta com Cédric Soares e Enzo Diaz; o Inter com Bernabei e Aguirre; Esquivel e Benavidez se revezam na lateral direita do Athletico-PR; o Vasco tem Puma Rodríguez; o Botafogo, Mateo Ponte; no Bragantino, joga Andrés Hurtado…

Essa realidade não vai mudar. Com uma economia bem mais forte do que seus pares da América do Sul, o Brasil assumiu a condição de importador compulsivo. Compra quem quer, a agora se dá luxo até em trazer jogadores da base.


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Carlo Ancelotti comanda a Seleção na Copa do Mundo.

(Foto: Sarah Stier/Getty Images)

Assume um papel que é muito parecido com a da Premier League – compra barato e vende caro para os principais centros do mundo. Nessa hora, ninguém pensa em Seleção.

O reflexo é na Copa. A tendência é que a Seleção, que já esteve na boca do povo, seja formada com alguns ilustres desconhecidos para a grande maioria. Mais ou menos a realidade de outros esportes, como vôlei e basquete, que só torcemos de quatro em quatro anos, em época de Olimpíada.

O futebol, que se orgulhava em ser diferente com os seus 200 milhões de técnicos dando pitaco, vai caindo nessa realidade. E tende, em pouco tempo, a ter costumes bem europeus.

O técnico já é italiano.

E o estilo de jogo, de jogadores improvisados em muitas posições, era algo que só eles sabiam conviver. Essa agora também vai ser a nossa realidade.

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