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Erasmo Carlos pediu maconha numa música e enrolou a censura da ditadura militar

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					Erasmo Carlos pediu maconha numa música e enrolou a censura da ditadura militar

Cannabis sativa é o nome científico da planta. Daí o canabidiol, que é o uso medicinal da cannabis. Maconha é como a gente, popularmente, se refere a ela.

Mas não é só maconha. No Brasil, o cigarro de maconha, cujo uso é criminalizado, tem vários apelidos: erva, beck, baseado, bagulho ou, simplesmente, fumo.    

Marijuana. É menos popular no Brasil, mas nem tanto. A despeito de ser uma expressão da língua espanhola, é adotada também nos Estados Unidos. 

Quem viu Woodstock com atenção há de lembrar. Jerry Garcia, o líder do Grateful Dead, aparece com um cigaro nas mãos e diz: “Marijuana, primeira prova!”.

No Brasil dos anos 1970, a psicodelia nordestina não escondeu seu vínculo com a maconha. Basta verificar o título do único disco gravado no Recife por Lula e Lailson.

Lançado em 1973, o disco de Lula Cortes e Lailson Holanda se chama Satwa. Lembra sativa. E tem uma música chamada Can I Be Satwa. Lembra cannabis sativa. 

Dois anos antes, em 1971, Erasmo Carlos já havia botado a maconha no disco Carlos, Erasmo, que se transformaria no título mais cultuado de sua discografia. 

Vejam a peraltice do Gigante Gentil. O Tremendão, com toda a sua fama de mau, mandou para a Censura Federal a letra de uma música chamada Maria Joana.

Era óbvio demais. Claro que Maria Joana remetia a marijuana. Os censores convocaram Erasmo Carlos para uma conversa. Era comum durante o regime militar.

Que história é essa de Maria Joana? Você não deve estar querendo dizer marijuana? – por certo, fizeram esse tipo de pergunta ao parceiro de Roberto Carlos.

Erasmo, com a cara mais limpa, disse que não. Segundo ele, era Maria Joana mesmo, um nome composto de mulher. O nome da filhinha do seu querido amigo Nelson Motta.

Mas Erasmo Carlos mentiu. O nome da filhinha de Nelson Motta não era Maria Joana, coisa nenhuma. Era, simplemente, Joana. E o mais curioso é que os censores acreditaram.

Muito bem. Em 1971, Erasmo Carlos lançou o álbum Carlos, Erasmo. É lá que estão De Noite na Cama, que Caetano Veloso mandou do exílio londrino, e É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo, largamente reouvida em 2024 no filme Ainda Estou Aqui

E é lá que está Maria Joana, a última faixa do álbum. “Eu quero Maria Joana/Eu quero Maria Joana/Eu vejo a imagem da Lua/Refletida na poça da rua/E penso da minha janela/Eu estou bem mais alto que ela” – dizem os versos da canção. 

Maria Joana. Marijuana. Erasmo Carlos, explicitamente, pedindo maconha numa música lançada durante a ditadura militar. Os censores pensavam que eram espertos, mas levaram uma rasteira do amigo de fé, irmão, camarada do Rei Roberto Carlos. 

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