Condição grave atinge pacientes submetidos à quimioterapia e radioterapia; especialista reforça importância do dentista antes do início do tratamento. Reportagem: Alisson Correia
Luciano Carlos tem 45 anos e, como ele mesmo descreve, a rotina mudou drasticamente após o diagnóstico de um câncer na cabeça. O tumor foi descoberto na faringe, uma região atrás do nariz.
“O meu câncer foi na faringe, um câncer por trás do nariz. Esse câncer é raro, ele é difícil de imaginar ter. Ele começa com adenóide. Aí dessa adenóide, devido à inflamação e complicações, ficou um tumor maligno.”
A doença já afetava sua respiração, que estava sendo obstruída. Luciano passou por cinco sessões de quimioterapia, cada uma com duração de cinco dias. Foi quando surgiu um dos efeitos colaterais mais dolorosos.
“Quando abriu as feridas na boca, devido à quimioterapia muito forte que eu tomei, a vermelha. Depois que eu terminei o ciclo de cinco dias, começou a abrir a ferida na boca, feridas horríveis.”
Ele havia desenvolvido a mucosite oral, uma inflamação grave que atinge a mucosa da boca e é comum em pacientes oncológicos submetidos a quimioterapia e radioterapia.
“O local que a ferida sempre abre era embaixo da língua, nos lábios, na parte de baixo e de cima, garganta, céu da boca e dos dois lados da bochecha. Ferida muito grande.”
Alerta da odontologia
A cirurgiã-dentista Laudenice de Lucena explica que a principal mensagem da campanha Julio Bordeaux – que dá nome à iniciativa de conscientização – é justamente alertar os pacientes sobre a importância do dentista como parte da equipe de cuidados durante o tratamento oncológico.
“Melhorando a qualidade de vida, acelerando a cura no caso do surgimento de mucosite e melhorando a qualidade de vida do paciente como um todo.”
Segundo a especialista, o ideal é que o paciente procure o dentista antes de iniciar o tratamento contra o câncer, para resolver todas as necessidades bucais.
“Porque durante o tratamento quimioterápico ou radioterapia da cabeça e pescoço, é normal o paciente ter limitação e até mesmo contraindicação para certos tratamentos dentários, principalmente cirurgias, extrações e tratamentos mais invasivos.”
Sinais e cuidados
Laudenice alerta que a mucosite oral começa com áreas avermelhadas e aumento da sensibilidade, tanto na mucosa bucal quanto na intestinal. Por isso, é indispensável que o paciente seja avaliado por um dentista antes do início da terapia oncológica, para receber orientações sobre higienização e produtos adequados.
A dentista destaca ainda uma técnica que tem trazido alívio aos pacientes: a laserterapia.
“A aplicação do laser de baixa potência favorece diretamente a diminuição da dor, a diminuição do processo inflamatório e acelera o processo de reparação.”
“Não sabia o que era”
Luciano conta que, infelizmente, não conseguiu receber a ajuda necessária a tempo.
“Até então eu não sabia nem o que era isso. Hoje eu conheço que é mucosite, que é muito sério.”
Ele reconhece, no entanto, que teve sorte ao encontrar um profissional de qualidade.
“Eu peguei um profissional de qualidade, que nem eu peguei. Levei sorte de pegar um profissional excelente, aí fica mais fácil o tratamento.”



