Principais candidatos à Presidência da República. (Reprodução)
Passado o período de convenções estão definidos os candidatos que vão disputar a Presidência da República. Claramente existem cinco candidaturas que realmente terão mais força entre o eleitorado: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Apesar de carregarem bandeiras distintas, todos eles terão uma grande similaridade para a campanha: escolheram homens para o cargo de vice.
Assim como nas últimas eleições, o eleitorado para este ano segue sendo majoritariamente feminino. De acordo com o TSE, as mulheres correspondem a 52,84% do total de aptos a votar. São mais de 83 milhões de eleitoras.
E são elas que terão que decidir qual será a dupla masculina que comandará o Executivo do Brasil pelos próximos quatro anos. Mais uma vez, as eleitoras não serão espelhadas nos principais palanques da corrida eleitoral.
Talvez o caminho escolhido pelo PT tenha sido o mais natural, mantendo Alckmin como vice do presidente Lula. Mas isso nos leva para um problema que começou quatro anos atrás, quando a legenda optou por uma chapa 100% masculina.
Já os marinheiros de primeira viagem do Missão fazem questão de inflamar os seus discursos para falar que fogem do modelo padrão de fazer política. Mas chama muita atenção quem eles tenham adotado o molde da velha política e indicado Aroldo Medina para compor chapa com Renan Santos.
Do lado do PSD temos o exemplo mais caricato possível. O partido não deve ter tido muito trabalho para simplesmente acatar a autoindicação de Gilberto Kassab, fundador da legenda, para ser o vice de Ronaldo Caiado.
Romeu Zema ainda fez um certo suspense e esperou até quase o último dia do período de convenções para anunciar que o Novo adotou o caminho simples de “catar” um parlamentar influente dentro do Congresso para assumir o posto de vice. Eduardo Girão foi o escolhido.
Com tudo isso, a última esperança que um dos principais palanques tivesse uma mulher foi, acreditem, a chapa do PL, encabeçada por Flávio Bolsonaro.
O filho de Jair Bolsonaro passou a pré-campanha inteira dizendo que tinha a preferência por dividir o palanque com uma mulher. Inclusive fazendo convites a integrantes do Republicanos e do Progressistas (e aqui é o momento em que a gente acena e diz que acredita que isso não foi por causa do tempo de televisão).
Finalmente, no evento de anúncio do nome que ocupará o posto de vice na sua chapa, Flávio Bolsonaro fez elogios a várias mulheres atuantes na direita, incluindo sua madrasta, Michelle Bolsonaro, e nomes fortes de dentro e de fora do PL. E depois de tudo isso a escolha foi por… exatamente: Alfredo Gaspar.
O fato é que o tempo passa, os discursos se renovam, as ideias ficam mais abertas e, no fim das contas, a prática segue sendo a mesma que nós já nascemos, crescemos, nos formamos e nos deformamos sendo acostumados a ver: um ambiente em que só as figuras masculinas são estampadas como destaques.
TEXTO: GABRIEL ABDON

