Artista Paraibano, natural de Uiraúna.. Divulgação/Ciro Fernandes
O arista paraibano Ciro Fernandes recebeu com supresa a entrega da obra ‘São Jorge’ a Leonardo DiCaprio, durante visita do ator e ativista ao Brasil. A xilogravura foi dada a Leo como um presente, na última quarta-feira (2), pela ministra da Cultura Margareth Menezes em encontro no Palácio do Planalto.
Ciro Fernandes só soube da entrega da obra através de publicação no jornal O Globo. Ao JORNAL DA PARAÍBA, o xilogravador celebrou a escolha do presente. “É uma honra muito grande. Ainda mais uma figura que tem uma representatividade universal. Me sinto muito honrado e muito feliz”, disse.
Obra ‘São Jorge’ produzida pelo artista paraibano Ciro Fernandes. Foto: Reprodução/Instagram
Na xilogravura, São Jorge, o santo guerreiro, é representado com um chapéu de Lampião, comum no Nordeste, de onde é a origem do artista. Além disso, a representação do santo luta contra um dragão de três cabeças, figura mística comum no cordel.
A obra faz parte do Clube de Colecionadores do Museu do Pontal, no Rio de Janeiro. De acordo com publicação da ministra nas redes sociais, Margareth ressaltou identidade brasileira através da arte popular. “Um verdadeiro tesouro da nossa identidade, que preserva a genialidade da arte popular brasileira”, escreveu.
Margareth Menezes entrega obra de artista paraibano como presente a Leonardo DiCaprio. Foto: Reprodução/Instagram
De acordo com Bruno Fernandes, filho e diretor de arte de Ciro, as obras têm uma representatividade brasileira muito forte, com elementos do Nordeste ao Sul. Entre as criações, existem muitos elementos sertanejos, fruto do local de nascimento.
“Ele nasceu no Alto Sertão, onde a nossa família conviveu com Lampião. Isso aí é retratado na arte dele. É uma forma de perpetuar a raiz dele. Mas ele retrata o Brasil como um todo. A arte dele é figurativa e ele desenha tudo que vê, principalmente o cotidiano das pessoas”, explicou.
Trajetória de Ciro Fernandes
Ciro Fernandes nasceu em Uiraúna, no sertão da Paraíba. Começou a desenhar em madeiras e nas paredes da casa dos avós durante a infância. Ele deixou a Paraíba em 1958, aos 16 anos.
O artista trabalhou como cobrador de ônibus, soldador mecânico, operário e pintor de paredes. Ele ocupou o cargo de diretor de arte em agências de publicidade e foi ilustrador do Jornal do Brasil e O Globo. Também ilustrou livros de autores e capas de discos de artistas brasileiros.
Atualmente Ciro tem um ateliê na Lapa, no Rio de Janeiro, e as obras dele fazem parte de acervos, como o do Museu Nacional de Belas Artes.



