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Após retirada de vegetação, mais de 40 iguanas são resgatadas em aréa urbana, em Campina Grande

CBN Paraíba

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					Após retirada de vegetação, mais de 40 iguanas são resgatadas em aréa urbana, em Campina Grande

Após retirada de vegetação, mais de 40 iguanas são resgatadas em aréa urbana, em Campina Grande.

Reprodução / Museu Vivo Répteis da Caatinga

Quarenta e duas iguanas foram retiradas de uma área próxima a uma obra de construção de edifícios no perímetro urbano da BR-230, em Campina Grande, no Agreste da Paraíba.

A primeira ação foi realizada em 9 de setembro por Silvaney Medeiros, proprietário do Museu Vivo Répteis da Caatinga, em Puxinanã. De acordo com ele, a vegetação havia sido retirada da área e as iguanas acabaram concentradas entre o material que foi acumulado no local. A equipe soube da presença dos animais depois que um seguidor do museu enviou uma mensagem pelas redes sociais relatando que havia visto as iguanas na região.

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A equipe do museu foi até o local durante o dia para confirmar a presença dos animais e retornou à noite para fazer o resgate.

“Fomos verificar de dia para confirmar e à noite fizemos o resgate. Os animais estavam ilhados no local onde a vegetação suprimida foi acumulada. Uma das iguanas estava com um membro dianteiro mutilado. Toda vegetação da área foi retirada, os animais perderam suas casas. Ficaram sem acesso a comida e água”, afirmou.


					Após retirada de vegetação, mais de 40 iguanas são resgatadas em aréa urbana, em Campina Grande

Após retirada de vegetação, mais de 40 iguanas são resgatadas em aréa urbana, em Campina Grande.

Reprodução / Museu Vivo Répteis da Caatinga

O primeiro resgate não foi suficiente para retirar todos os animais da área. Na última terça-feira (15), a equipe do museu precisou voltar ao local após receber a informação de que ainda havia duas iguanas na região.

Após a retirada, os animais foram avaliados e, segundo Silvaney, estavam em condições de voltar à natureza. Por isso, as iguanas foram levadas para uma área arborizada do Museu Vivo Répteis da Caatinga e para o entorno do espaço, em Puxinanã.

“Como os animais estavam aptos para voltar à natureza, foram liberados na área arborizada do museu e todo o entorno”, explicou.

Silvaney também explicou que os resgates foram realizados durante a noite porque as iguanas estavam dormindo. Segundo ele, a escolha do horário facilitou a retirada dos animais e evitou que eles fugissem para as vias próximas.

“Fizemos o resgate à noite porque elas estavam dormindo. Durante o dia, elas iriam pular e fugir, podendo ser atropeladas nas vias”, afirmou.

Ainda segundo Silvaney, a retirada da vegetação também afetou outros animais que viviam na área. De acordo com ele, cobras, lagartos terrestres, pequenos roedores e pássaros que tinham ninhos no local também foram atingidos durante a intervenção.

Na sexta-feira (18), uma das iguanas resgatadas precisou de atendimento no hospital venerinário da Universidade Federal da Paraíba no campus da cidade de Areia, no Brejo do estado. O animal apresentava uma amputação de parte da região da cauda e uma mutilação em uma das patas dianteiras, e, com isso, o animal precisava de um atendimento mais especializado.

Área onde iguanas foram encontradas fica próxima a obra de construtora

O JORNAL DA PARAÍBA identificou que a área onde os animais foram encontrados fica próxima a uma obra de uma construtora de prédios, mas não conseguiu identificar qual empresa está responsável pelo serviço. A reportagem procurou órgãos municipais, estaduais e federais para identificar a responsabilidade pela área e pela obra.

A Secretaria de Planejamento (Seplan) de Campina Grande informou que a liberação de obras é de competência da Secretaria de Obras do município.

A Secretaria de Obras, por sua vez, explicou que, em caso de obras privadas de condomínios às margens da rodovia, a pasta apontou a Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap), do Governo da Paraíba, como responsável. Assiom, a aehap também foi procurada e informou que não existe nenhuma intervenção na área citada sob responsabilidade do órgão.

Já o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que não tinha conhecimento do caso e afirmou que o consórcio responsável não estava desenvolvendo nenhuma atividade relacionada à situação.

O que diz o Ibama

Questionado sobre quais medidas devem ser adotadas para proteger animais silvestres durante obras com retirada de vegetação, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou ao JORNAL DA PARAÍBA que, nos empreendimentos licenciados pelo órgão ambiental estadual ou pelo próprio instituto, as ações relacionadas à fauna precisam estar previstas na licença ambiental, após a avaliação dos impactos do projeto.

Isso inclui medidas para retirar os animais da área de forma segura antes ou durante a supressão da vegetação ou a execução das obras. Segundo o Ibama, o resgate deve ser realizado por uma equipe de fauna contratada pelo empreendedor e precisa de autorização específica para o manejo dos animais.

Na Paraíba, o órgão informou que os resgates de animais silvestres são realizados prioritariamente pela Polícia Militar Ambiental, que possui equipes capacitadas e materiais adequados para esse tipo de atendimento.

Além do resgate, o órgão aponta o monitoramento da fauna como uma medida de prevenção e acompanhamento dos impactos causados pelo empreendimento.

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