Prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, ao lado de Efraim Filho e Veneziano Vital. Reprodução
Goste ou não dos posicionamentos políticos do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (UB), há um ponto que merece ser registrado: ele tem mantido a coerência no que se refere às eleições deste ano, na Paraíba. Enquanto grande parte da classe política muda de posição, a 13 dias do pleito, o gestor continua no palanque do senador Efraim Filho (PL) para o Governo e, para o Senado, mantém o apoio à reeleição do senador Veneziano Vital (MDB), um dos seus principais aliados em 2024. Ambos de sua mesma trincheira, a oposição (plano estadual).
O prefeito não deverá anunciar apoio ao ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Rep); e dificilmente fará com relação ao ex-ministro Marcelo Queiroga, do PL.
Há com eles dois obstáculos, registrados aqui no Blog, que não foram suplantados nas últimas semanas.
Mais precisamente com Nabor, um eventual apoio abriria margem para questionamentos sobre coerência, já que o ex-prefeito faz parte da base governista (plano estadual) e tem como suplente a senadora Daniella Ribeiro (PP), também adversária de Bruno desde 2022.
Algo parecido com o que tem ocorrido com outros prefeitos, em regiões diferentes do Estado, que adormecem na oposição, sonham com membros da base e acordam na trincheira governista. Nessas cidades, eleitores questionam as razões para mudanças de rota abruptas.
Para não incorrer no risco da incoerência, Bruno mantém o 2º voto para o Senado em aberto. Não vai aderir ao comodismo do “Maria vai com as outras”, nem perderá conceito em um universo político tão carente de valores, projetos de longo prazo e, também, de coerência.
E no fim das contas, Bruno está correto. Coerência, um produto raro no mercado político paraibano, precisa valer à pena. Talvez não com efeitos no ‘agora’, mas com reflexos ao longo do tempo. As biografias, escritas ou não, dizem muito sobre isso.

