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Benito Di Paula inaugurou o Centro Administrativo da Paraíba

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					Benito Di Paula inaugurou o Centro Administrativo da Paraíba

Foto/Reprodução

Até o início dos anos 1970, havia um grande terreno em Jaguaribe, entre a Igreja do Rosário e a Avenida João da Mata. O terreno murado ocupava praticamente um quarteirão.

De 1971 a 1975, a Paraíba foi governada por Ernani Sátiro, escritor e político de direita, o primeiro dos nossos três governadores não eleitos, mas nomeados pela ditadura militar.

Além de fazer política, Ernani Sátiro gostava de escrever romances e chamava todo mundo de “amigo velho”. Com tanta frequência, que também passou a ser chamado de “amigo velho”.

Foi de Ernani Sátiro a ideia de dotar o governo estadual de um centro administrativo que reunisse num só lugar todas as secretarias e tivesse um espaço para o governador despachar.

Assim, nasceu o Centro Administrativo, que o “amigo velho” mandou construir no terreno ao lado da Igreja do Rosário. A obra ficou pronta no início de 1975, no final do seu mandato.

De um lado, de costas para a Avenida João da Mata, havia o Palácio dos Despachos e um auditório. Do outro lado, quatro prédios de seis andares edificados para as secretarias.

No apagar das luzes do seu governo, Ernani Sátiro entregou dois estádios de futebol – o Almeidão, em João Pessoa, e o Amigão, em Campina Grande – e o Centro Administrativo.

Para entregar o Centro Administrativo, Ernani Sátiro resolveu fazer uma grande festa popular. E a festa pedia a presença de um artista que estivesse na crista da onda e atraísse público.

Benito Di Paula fazia muito sucesso na primeira metade dos anos 1970. Batizado Uday Vellozo, Benito era pianista, tocava na noite e, no seu instrumento, compunha sambas românticos.

Retalhos de Cetim, Mulher Brasileira, Charlie Brown. Suas músicas estavam na boca do povo e resistiriam à ação do tempo, tanto que são lembradas e cantadas até hoje.

Benito Di Paula fazia um negócio que ficou conhecido como samba joia. Dizem que foi precursor do pagode romântico dos anos 1990. Roberto Carlos gravou duas de suas músicas.

Pois bem. Benito Di Paula. Não havia nome melhor para inaugurar o Centro Administrativo do “amigo velho”. Pelo menos no entendimento do pessoal que fazia a comunicação do governo.

E foi assim. Num final de tarde, início de noite, num dia qualquer do início de 1975, um piano foi colocado na rampa de acesso ao Palácio dos Despachos para receber Benito Di Paula.

O “amigo velho”, Dona Antonieta e todo o secretariado estavam lá, postados na frente do Palácio dos Despachos, diante da multidão que queria conhecer a obra e ver Benito Di Paula de perto.

Aos 15 anos, eu morava nas redondezas – na Avenida Conceição – e também fui ver. Mais por curiosidade, porque confesso que nunca gostei do samba joia de Benito Di Paula.

Reconheço o sucesso popular de Benito Di Paula e a permanência das suas músicas na memória afetiva de milhões de brasileiros, mas, a ele, nunca dediquei minhas audições.

Na inauguração do Centro Administrativo, o cara fez um show “meia boca”, totalmente improvisado, mas, com um set list repleto de sucessos, claro que deixou o público satisfeito.

Era o fim da caravana do “amigo velho”. A Paraíba teria mais dois governadres biônicos – Ivan Bichara e Tarcísio Burity – até que voltássemos a escolher nossos governantes pelo voto direto.    

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