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Enem 2026: veja 10 músicas de funk que podem ajudar na redação

CBN Paraíba

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					Enem 2026: veja 10 músicas de funk que podem ajudar na redação

Divulgação

O funk brasileiro vai além das pistas de dança e também pode ser uma fonte de repertório sociocultural para estudantes que estão se preparando para a redação do Enem 2026. Com letras que retratam o cotidiano das periferias e questionam problemas da sociedade, o gênero oferece referências para discutir temas como desigualdade, racismo, violência, educação e direitos sociais.

Músicas como “Não Foi Cabral”, de MC Carol, e “Favela Pede Paz”, de MC Hariel com MC Neguinho do Kaxeta e MC Lelê JP, mostram como o funk pode abordar questões históricas e sociais. Há também canções que discutem o machismo, a discriminação racial e a valorização de manifestações culturais que enfrentam preconceito.

Pensando nisso, o Jornal da Paraíba reuniu dez músicas de funk que podem ser utilizadas como repertório sociocultural na redação. As referências podem ajudar a introduzir uma discussão, exemplificar um problema ou fortalecer um argumento, desde que sejam relacionadas ao tema proposto.

No Enem, a Competência II avalia a compreensão da proposta, o desenvolvimento do tema e o uso produtivo de conhecimentos de diferentes áreas. Por isso, não basta citar uma música: é necessário explicar a mensagem da letra e mostrar como ela contribui para a argumentação.

10 músicas de funk para usar como repertório na redação do Enem

1. “Rap da Felicidade (Eu Só Quero É Ser Feliz)”, de Cidinho e Doca


”Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer
Com tanta violência, eu sinto medo de viver
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado
A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado”

Lançada na década de 1990, a música se tornou um clássico do funk carioca ao expressar o desejo de moradores das favelas de viver com tranquilidade e segurança nas próprias comunidades. A letra aborda a violência urbana, a desigualdade social e o preconceito enfrentado por quem vive nesses territórios.

A canção pode ser relacionada a temas como desigualdade social, direito à cidade, segurança pública, segregação urbana e estigmatização das periferias. Em uma proposta sobre os desafios para garantir a segurança e a qualidade de vida nas cidades brasileiras, o estudante pode utilizar a música para discutir o direito de todos os cidadãos de viver em espaços seguros, independentemente de sua condição social ou local de moradia.

A referência também permite questionar a associação automática entre favela e criminalidade. Para desenvolver o argumento, o candidato pode destacar a importância de políticas públicas que ampliem o acesso à educação, à cultura, ao lazer, ao saneamento básico e à segurança, considerando as necessidades dos moradores dessas comunidades.

2. “Rap do Silva”, de MC Bob Rum

“Era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro
Mas era pai de família”

Lançada em 1995, “Rap do Silva”, de MC Bob Rum, é um clássico do funk carioca. A música conta a história de Silva, um homem trabalhador, pai de família, que enfrenta uma rotina marcada pelo deslocamento entre casa e trabalho e pelas dificuldades do transporte público.

A narrativa ganha um desfecho trágico quando Silva vai a um baile funk para se divertir e acaba assassinado ao chegar ao local da festa. A canção não esclarece quem foi responsável pela morte, mas retrata a violência que atinge moradores das periferias brasileiras e o impacto desse problema na vida de pessoas comuns.

A música pode ser relacionada a temas como violência urbana, desigualdade social, direito ao lazer e vulnerabilidade das populações periféricas. O exemplo de Silva permite discutir como a violência limita o acesso à segurança e a atividades de convivência e entretenimento. Na redação do Enem, o candidato pode usar a obra para contextualizar o problema e, em seguida, desenvolver argumentos com dados, fatos ou referências complementares.

3. “Som de Preto”, de Amilcka e Chocolate


“O nosso som não tem idade
Não vê raça e nem vê cor
Mas a sociedade
Pra gente não dá valor”

A música aborda o preconceito enfrentado pelo funk e por seus artistas, relacionando a discriminação ao fato de o gênero estar associado à população negra e às periferias. A letra questiona a desvalorização social dessa manifestação cultural, mesmo diante de sua popularidade.

A canção pode ser relacionada a temas como racismo, preconceito cultural, desigualdade de acesso à cultura e criminalização de manifestações artísticas periféricas. O estudante pode argumentar que o reconhecimento de uma expressão cultural não deveria depender da origem social de seus criadores ou do território em que surgiu.

A referência também ajuda a discutir como estereótipos podem influenciar a maneira como determinados grupos e suas produções são tratados pela sociedade.

4. “100% Feminista”, de MC Carol e Karol Conká

“Presenciei tudo isso dentro da minha família
Mulher com olho roxo, espancada todo dia
Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia
Que mulher apanha se não fizer comida
Mulher oprimida, sem voz, obediente
Quando eu crescer, eu vou ser diferente”

A música aborda a desigualdade de gênero, a violência contra as mulheres e as limitações impostas a elas em diferentes espaços sociais. A letra também valoriza a presença feminina na história e questiona padrões que associam as mulheres à submissão.

A canção pode contribuir para temas como violência de gênero, machismo, autonomia feminina, desigualdade no mercado de trabalho e educação para a igualdade. Em uma proposta sobre os desafios para combater a violência contra a mulher, o estudante pode relacionar a música à importância de ações educativas, redes de acolhimento e mecanismos de proteção.

A referência ganha força quando o candidato explica como padrões culturais podem contribuir para a reprodução da desigualdade e por que o enfrentamento do problema exige ações coletivas.

5. “Marielle Franco”, de MC Carol com Heavy Baile


“Vocês querem nos matar, nos controlar
Vocês não vão nos calar
Mesmo sangrando a gente vai tá lá
Pra marchar e gritar
Eu sou Marielle, Cláudia, eu sou Marisa
Eu sou a preta que podia ser sua filha
Solidariedade, mais empatia
O povo preto tá sangrando todo dia
Eu não aguento mais viver oprimida
Nesse país sem democracia”

Lançada em 2018, a música homenageia a vereadora Marielle Franco, assassinada naquele ano no Rio de Janeiro, e amplia a discussão para a violência enfrentada por mulheres negras e moradores de comunidades periféricas. A letra expressa resistência diante da opressão e denuncia desigualdades raciais e de gênero.

Pode ser relacionada a temas como racismo estrutural, violência contra mulheres negras, representatividade política, direitos humanos e liberdade de expressão. A música permite discutir as barreiras enfrentadas por grupos historicamente excluídos dos espaços de poder.

Em uma redação sobre a desigualdade na representação política, por exemplo, o estudante pode usar a referência para introduzir o debate sobre a importância de ampliar a participação de diferentes grupos nas instituições democráticas.

6. “Favela Pede Paz”, de MC Hariel, MC Neguinho do Kaxeta e MC Lelê JP

“Há quanto tempo a paz não anda por aqui?
Há quanto tempo a gente sofre na mão dos partido rico?
Há quanto tempo a gente morre sempre por engano?
Há quanto tempo a tranca canta pra um favelado?
E será quе a cadeia chega pra quem rеalmente tá roubando?”

A música aborda a violência nas periferias, a relação entre comunidades e forças de segurança e a falta de oportunidades para parte da juventude. A letra também reivindica acesso à cultura, ao trabalho e a condições que permitam aos jovens construir outras perspectivas de futuro.

A canção pode ser utilizada em temas sobre violência urbana, juventude, desigualdade de oportunidades, segurança pública e acesso à cultura. O estudante pode argumentar que o enfrentamento da violência exige mais do que medidas repressivas: também envolve educação, formação profissional, lazer e políticas de inclusão social.

A referência ajuda a mostrar como a realidade das periferias pode ser retratada por quem vive ou conhece de perto esses territórios. Para desenvolver o argumento, é importante relacionar a letra a fatores sociais concretos, sem reduzir a violência a uma única causa.

7. “Isso É Brasil”, de MC Garden

“Como é que cês quer ser feliz esse ano
Deixando a responsa com o Feliciano
Humanos direitos vai ter o direito
De ter um monstro nos direitos humanos
Daqui a pouco vão tacar mais lenha
Querer acabar com a Lei Maria da Penha
Se pá ele vai pedir o seu cartão
Mas vê se não vai esquecer de dar a senha”

Na música, MC Garden faz críticas a contradições da sociedade brasileira e questiona a valorização de determinados conteúdos em detrimento do conhecimento e do pensamento crítico. O artista integra uma vertente do funk que utiliza as letras para abordar problemas sociais e políticos.

A referência pode ser relacionada a temas como educação, valorização do conhecimento, influência da mídia e consumo de conteúdo nas redes sociais. Em uma proposta sobre os desafios para promover a educação crítica, o estudante pode discutir como a circulação de informações e os critérios de visibilidade nas plataformas influenciam o debate público.

É importante não usar o trecho para desqualificar manifestações culturais ou artísticas. O argumento deve se concentrar na crítica apresentada pela música e explicar de que maneira ela se conecta ao problema discutido.

8. “Acredita”, de MC Paulin da Capital

“Quando te falarem que você não vai vencer
Pode ter certeza que isso tudo é mentira
Deposite a fé no poderoso pra tu ver
Que ele orienta é abençoa a tua vida”

A canção apresenta uma mensagem de fé e perseverança diante das dificuldades. A letra destaca a importância da esperança e da confiança para continuar buscando objetivos, mesmo em situações de incerteza.

Pode ser relacionada a temas como juventude, projetos de vida, saúde emocional, religiosidade e superação de dificuldades. Em uma proposta sobre os desafios enfrentados por jovens em contextos de vulnerabilidade, o estudante pode discutir o papel das redes de apoio, dos vínculos comunitários e das oportunidades educacionais.

A referência deve ser utilizada com cuidado para não atribuir exclusivamente ao esforço individual a responsabilidade por superar problemas sociais. A persistência pode ser importante, mas precisa ser analisada junto às condições concretas de vida e às oportunidades disponíveis.

9. “Favela”, de MC Marcinho

“Eu peço a eles, me dê uma trégua
Pra vivermos felizes em nossas favelas
Porque aqui no morro também tem jogador
Artistas famosos, empresário e doutor
Gente inteligente e mulheres belas
Você também encontra aqui na favela”

A canção apresenta a favela como espaço de convivência, identidade e orgulho. Em vez de retratar a comunidade apenas por seus problemas, a música destaca a diversidade de pessoas e experiências que fazem parte desses territórios.

A música pode contribuir para temas como preconceito territorial, direito à cidade, identidade cultural e combate aos estereótipos sociais. O estudante pode argumentar que a representação das periferias precisa considerar tanto os desafios estruturais quanto as formas de organização, criatividade e produção cultural de seus moradores.

A referência também permite discutir a importância de políticas públicas que garantam acesso a serviços, infraestrutura, lazer e cultura sem discriminação pelo local de moradia.

10. “Não Foi Cabral”, de MC Carol

“Zumbi dos Palmares
Vitima de uma emboscada
Se não fosse a Dandara
Eu levava chicotada
Nada contra ti
Não me leve a mal
Quem descobriu o Brasil
Não foi Cabral”

A música questiona a narrativa tradicional sobre a chegada dos portugueses ao Brasil e chama atenção para a presença dos povos indígenas antes da colonização. A letra também menciona a violência sofrida por indígenas e negros e destaca personagens históricos que nem sempre recebem espaço nos relatos mais difundidos.

A canção pode ser relacionada a temas como educação, ensino de História, valorização dos povos indígenas, racismo e preservação da memória histórica. Em uma proposta sobre os desafios para reconhecer a diversidade cultural brasileira, o estudante pode argumentar que o ensino de História precisa contemplar diferentes perspectivas e dar visibilidade aos grupos que foram marginalizados ao longo do tempo.

A música também pode servir como ponto de partida para discutir a importância de revisar narrativas históricas sem substituir a análise dos fatos por simplificações.

Como usar músicas de funk na redação do Enem?

As músicas podem ajudar a introduzir um tema, exemplificar uma situação ou reforçar um argumento. Para que a referência seja produtiva, porém, é necessário mostrar que ela contribui para a discussão proposta.

Confira algumas orientações:

  • Entenda a mensagem da música: identifique o problema ou a ideia central antes de utilizá-la;
  • Relacione a referência ao tema: a canção deve dialogar diretamente com a proposta da redação;
  • Explique a conexão: não basta citar um verso; é preciso mostrar como ele ajuda a sustentar o argumento;
  • Amplie o repertório: combine a referência musical com conhecimentos históricos, conceitos, dados ou exemplos pertinentes;
  • Evite generalizações: uma música pode ilustrar um problema, mas não comprova, sozinha, uma afirmação sobre toda a sociedade.

O funk também pode ser uma fonte de reflexão social

As dez canções mostram que o funk pode abordar diferentes dimensões da realidade brasileira, da desigualdade nas cidades ao racismo, da violência de gênero à valorização da cultura periférica.

Na redação do Enem, o mais importante é utilizar a referência de forma contextualizada. Quando o estudante explica a relação entre a música e o tema, demonstra capacidade de mobilizar conhecimentos culturais para construir uma argumentação consistente.

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