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Alvo de um processo interno que pode resultar em sua expulsão do PSB, o ex-prefeito de Sousa Fábio Tyrone recebeu R$ 1,5 milhão de fundo eleitoral do partido para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. É o maior repasse feito pelo Diretório Nacional do PSB a um candidato da Paraíba nesta eleição.
O valor é mais que o dobro dos R$ 633,3 mil destinados à vereadora Jailma Carvalho, segunda candidata do partido mais beneficiada com recursos nacionais.
Tyrone também recebeu mais de quatro vezes o valor destinado a Lídia Moura, que foi secretária da Mulher durante a gestão do então governador João Azevêdo, presidente estadual do PSB, e ficou com R$ 341,6 mil.
A distribuição dos recursos ocorre em meio à discussão dentro do partido sobre a permanência de Tyrone na legenda. O ex-prefeito foi condenado por violência doméstica após agredir a então namorada, a advogada Myriam Gadelha, em 2018.
Em abril deste ano, a pena foi reduzida para dez meses. Posteriormente, Tyrone foi considerado apto para disputar a eleição após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Processo de expulsão
A pré-candidatura do ex-prefeito provocou reação de movimentos de mulheres e de integrantes do próprio PSB. Um processo interno foi aberto após representação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
O presidente nacional do partido, João Campos, afirmou à Folha de S.Paulo que voltou a cobrar informações atualizadas sobre o caso e que, em 23 de setembro, pediu que o processo fosse encaminhado diretamente ao Conselho Nacional de Ética do PSB, com o objetivo de acelerar a análise da expulsão.
A demora no julgamento tem sido usado atualmente pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, que concorre contra João Campos ao governo de Pernambuco nestas eleições. Em publicações nas redes sociais, ela disse que Myrian Gadelha estava sendo revitimizada com a candidatura de Tyrone.
Ao Conversa Política, Fábio Tyrone disse que se arrepende do episódio e afirmou que o caso não representa sua trajetória. “Não é a minha conduta, basta ver minha trajetória. Pelo contrário, eu fui forjado dos movimentos sociais e sobretudo na defesa do respeito à mulher. Aconteceu isso comigo, infelizmente, mas eu não posso pagar a vida toda por um erro cometido há 8 anos, há 9 anos”, afirmou.
Procurado pela Folha, o diretório estadual do PSB informou que encaminharia os questionamentos internamente. Até a publicação, não houve retorno. A reportagem também procurou Lídice da Mata, vice-presidente nacional de Políticas de Gênero do PSB, Tabata Amaral e Márcio França, secretário nacional de Finanças da legenda. Não houve manifestação até a publicação.
Recursos repartidos
Fábio Tyrone afirmou que esperava receber até o teto de R$ 3,1 milhões e disse ter repassado mais da metade do valor recebido a outros candidatos do partido. “Recebi mais dinheiro hoje e pretendo repassar 60% para fortalecer as candidaturas do partido”, comentou.
Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Tyrone repassou R$ 630 mil a cinco candidatos, cerca de 42% dos recursos que recebeu. Um dos beneficiados foi o vereador Zezinho Botafogo, que concorre com ele a uma vaga de deputado federal e recebeu dele R$ 180 mil, para além dos R$ 633,3 mil recebidos do Diretório Nacional do PSB.
Além deles, receberam verba pelo Diretório Nacional do PSB para disputa à Câmara Federal: Sargento Wellington Cobra (R$ 408,3 mil), Cris Furtado e Dr. Levy da Habitação, com R$ 186,6 mil cada; Rachel Maroja e Roberto Burity, com R$ 186,6 mil cada; Repórter Carlos Santos, R$ 153,3 mil; e Sargento Helmut, R$ 100 mil.

