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Canetas emagrecedoras: uso levanta alerta para riscos da automedicação

CBN Paraíba

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					Canetas emagrecedoras: uso levanta alerta para riscos da automedicação

Foto: Freepik

Os medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” têm sido cada vez mais associados não apenas à perda de peso, mas à melhora da saúde metabólica e da qualidade de vida. A categoria inclui os medicamentos semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida.

Em 2025, segundo dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF), o uso dessas medicações cresceu 88% em relação a 2024, indicando a ampliação da procura no país. Especialistas destacam, no entanto, que os medicamentos devem ser compreendidos como ferramentas terapêuticas, e não soluções isoladas ou exclusivamente estéticas.

Aliadas no tratamento da obesidade e doenças associadas

O cirurgião especialista em Aparelho Digestivo, Geraldo Camilo, em entrevista ao Jornal da Paraíba, afirma que as canetas são indicadas, principalmente, para o tratamento de obesidade, diabetes tipo 2 e outras condições crônicas relacionadas ao excesso de peso.

Segundo ele, ao promover a redução do peso corporal e o melhor controle glicêmico, os medicamentos contribuem para a melhora de uma série de doenças associadas.


				
					Canetas emagrecedoras: uso levanta alerta para riscos da automedicação

Foto: Freepik

“Essas canetas já apresentam resultados na redução da inflamação e do depósito de gordura no fígado, além de melhorar níveis de pressão arterial, gorduras no sangue e até quadros de apneia do sono. Ao promover melhora metabólica e controle do excesso de peso, há impacto direto na qualidade de vida do paciente”, explica.

De acordo com o médico, o acompanhamento clínico envolve marcadores que vão além da balança, como exames laboratoriais, indicadores inflamatórios e parâmetros metabólicos.

Importância do acompanhamento durante o uso


				
					Canetas emagrecedoras: uso levanta alerta para riscos da automedicação

Foto: Freepik

A nutricionista e doutora em Ciências da Nutrição, Karolinny Sampaio, em entrevista ao Jornal da Paraíba, ressalta que, quando associados a um plano alimentar estruturado, os medicamentos podem potencializar resultados e favorecer um emagrecimento mais saudável.

Ela explica que a redução do apetite provocada pelas medicações exige atenção especial à ingestão de proteínas, fundamentais para preservar a massa muscular.

“A proteína é essencial para evitar o catabolismo e manter a massa magra. Mesmo com redução calórica, é importante que a ingestão seja adequada e distribuída ao longo do dia”, afirma.

A especialista também reforça a importância do monitoramento de vitaminas e minerais, já que a diminuição do volume alimentar pode aumentar o risco de deficiências nutricionais caso não haja orientação adequada.

Alerta da Anvisa e registros de eventos adversos


				
					Canetas emagrecedoras: uso levanta alerta para riscos da automedicação

Foto: Reprodução

Em 9 de fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o risco de pancreatite associado ao uso desses medicamentos.

Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos, incluindo seis casos com desfecho de óbito. Outros 65 óbitos ocorridos entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025 estão sob investigação. A agência informa que os casos seguem em análise e que a relação causal ainda está sendo apurada.

Especialistas reforçam que a prescrição deve ser individualizada e que o uso precisa ocorrer com acompanhamento médico regular.

Fase de desmame exige planejamento

Karolinny aponta que, após atingir o objetivo de perda de peso, é necessário realizar o desmame gradual do medicamento. A interrupção costuma gerar receio entre pacientes, principalmente pelo medo do reganho de peso.

De acordo com nutricionistas, o risco não está apenas no retorno do apetite, mas também na chamada adaptação metabólica, caracterizada pela redução do gasto energético basal e por alterações hormonais, como:

  • Queda da leptina, hormônio relacionado à saciedade;
  • Aumento relativo da grelina, hormônio associado à fome.

Esse cenário favorece biologicamente o reganho de peso, sobretudo quando a interrupção ocorre de forma abrupta.

O plano alimentar na fase de manutenção deve considerar fatores como quantidade de gordura corporal e massa magra perdidas, metas ainda a serem alcançadas e o perfil metabólico e clínico do paciente. Especialistas classificam esse período como a etapa mais crítica do tratamento.

O acompanhamento com nutricionista permite monitorar composição corporal, exames laboratoriais, evolução do peso e possíveis sinais de fome excessiva ou alterações metabólicas, reduzindo o risco de recuperação agressiva do peso.

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