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Como empresas e redes de apoio podem ajudar na prevenção do burnout e na recuperação emocional

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					Como empresas e redes de apoio podem ajudar na prevenção do burnout e na recuperação emocional

Números mostram que a maioria das empresas ainda carece de políticas estruturadas de prevenção e acolhimento com os colaboradores..

Reprodução/Unsplash

Quatro em cada dez pessoas de 18 a 30 anos relataram sintomas de burnout, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse no Brasil (ISMA-BR). Mesmo com o avanço das discussões sobre saúde mental, os números mostram que a maioria das empresas ainda carece de políticas estruturadas de prevenção e acolhimento com os colaboradores.

Um levantamento da Acrisure reforça o cenário: os Millennials (nascidos entre 1981 e 1994) concentram 43% dos afastamentos por transtornos mentais, seguidos pela geração Z (33%), geração X (16%) e baby boomers (3%). A pesquisa, que analisou informações de 426 mil trabalhadores de 14 grandes empresas brasileiras, registrou 8.095 afastamentos em 2023.

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Importância das redes de apoio

A psicóloga do trabalho e especialista em desenvolvimento Michéli Meira explicou que o burnout é resultado de um estresse crônico e prolongado e que a recuperação depende não apenas de tratamento profissional, mas também da presença de uma rede de apoio sólida: “O burnout não se resolve com força de vontade. Ele exige tratamento. Regular corpo e mente é um processo, e contar com uma rede de apoio torna essa caminhada menos solitária”.

Segundo ela, família, amigos e colegas de trabalho podem exercer um papel decisivo na recuperação. Entre as ações práticas, estão estimular o tratamento, acompanhar consultas, incentivar hábitos saudáveis e, principalmente, oferecer escuta sem julgamentos. “Mais do que cobrar resultados, o que realmente faz diferença é estar presente, acolher e caminhar junto”, disse Michéli.

Os sintomas costumam começar de forma sutil, como através do cansaço, irritabilidade, insônia e dores físicas. “Quando o sofrimento se torna crônico, o impacto emocional e físico é muito maior. Falar sobre o que sente e buscar acolhimento é o primeiro passo para quebrar esse ciclo”, completou a psicóloga.

Como fortalecer uma rede de apoio no dia a dia

A psicóloga ressalta que pequenas atitudes fazem diferença:

  • ouvir sem interromper nem julgar;
  • respeitar o tempo e os limites da pessoa;
  • validar sentimentos, sem minimizar a dor;
  • manter contato e oferecer companhia em atividades simples;
  • estimular o acompanhamento psicológico.

“Não são grandes ações que fazem a diferença, mas a consistência nos pequenos gestos. Uma mensagem, um convite, um tempo de qualidade. Isso fortalece vínculos e ajuda na recuperação”, explicou Michéli.

O papel das empresas na prevenção

Para a especialista em Recursos Humanos, Mari Viana, cuidar da saúde mental dos colaboradores precisa ser parte da estratégia das empresas, e não apenas uma resposta a crises. “Um RH preventivo atua de forma antecipada, fortalecendo a cultura organizacional, acompanhando o clima da equipe e treinando líderes para reconhecer sinais precoces de sobrecarga”, explicou.

Entre as ações mais eficazes estão:

  • criar espaços de escuta e diálogo aberto
  • revisar metas e processos que geram pressão excessiva
  • promover transparência e clareza nas demandas
  • reconhecer conquistas e boas práticas
  • estimular o equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Segundo a especialista, falar sobre saúde mental é sinal de maturidade organizacional: “A empresa precisa criar um espaço em que os profissionais se sintam seguros para se expressar sem medo de julgamentos. Isso se constrói com líderes preparados para ouvir e com uma comunicação não punitiva”.

Ela explica que ações simples ajudam a construir esse ambiente: rodas de conversa, campanhas internas, espaços de descanso e treinamentos de empatia: “Acolhimento não é custo é investimento em engajamento, confiança e produtividade”.

Sinais de alerta

Entre os principais sinais estão:

  • cansaço físico e mental constante
  • dificuldade de concentração
  • alterações no sono e no apetite
  • irritabilidade e mudanças repentinas de humor
  • sensação de fracasso ou incompetência
  • dores musculares e de cabeça frequentes
  • isolamento social
  • negatividade persistente
  • problemas gastrointestinais e aumento da pressão arterial

Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome pode evoluir para quadros mais graves, como a depressão profunda, por isso é fundamental buscar ajuda assim que surgirem os primeiros sinais. O diagnóstico deve ser feito por um psicólogo ou psiquiatra, com base em uma avaliação clínica. O tratamento costuma incluir psicoterapia e, quando necessário, o uso de antidepressivos ou ansiolíticos sob prescrição médica.

“O líder ou colega não precisa diagnosticar, mas pode oferecer uma escuta atenta e encaminhar a pessoa para o RH ou para o atendimento psicológico. Muitas vezes, o simples fato de alguém se mostrar disponível já faz diferença”, orientou a RH.

Para a psicóloga Michéli Meira, quando há escuta, empatia e rede de apoio, a recuperação se torna mais leve e possível. “O que transforma não é o discurso, é a presença. Uma cultura que valoriza o cuidado salva vínculos, vidas e empresas inteiras.”

Onde buscar ajuda gratuitamente

Quem enfrenta sinais de esgotamento pode procurar ajuda gratuita em serviços públicos de saúde:

– CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): indicado para situações mais graves ou persistentes de sofrimento mental. Os CAPS oferecem atendimento individual e em grupo, com equipe multiprofissional, e trabalham para a reabilitação e reinserção social. Existem modalidades específicas (Caps I, II, III, AD e AD III), conforme o tamanho da população e o tipo de demanda. É gratuito, através do Sistema Único de Saúde (SUS), com acompanhamento psicológico e psiquiátrico. É possível buscar orientação na USF (Unidade de Saúde da Família) mais próxima. Lá, o usuário passa por uma escuta inicial e a equipe avalia a melhor forma de cuidado, podendo ser o encaminhamento para um CAPS, para uma consulta com psicólogo ou psiquiatra em uma policlínica.

– Ambulatório Juliano Moreira: localizado no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, no bairro da Torre, em João Pessoa, oferece atendimento psicológico, psiquiátrico e práticas integrativas. O acesso é espontâneo, ou seja, não é preciso encaminhamento, e o serviço funciona todos os dias da semana.

– Situações de crise em saúde mental: o atendimento pode ser feito no Pronto de Atendimento em Saúde Mental (PASM), na rua Cel. Benevenuto Gonçalves da Costa, em Mangabeira, que atende João Pessoa e região metropolitana, ou no Espaço de Atenção à Crise (EAP), do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, localizado na Avenida Dom Pedro II, no bairro da Torre.

– CVV (Centro de Valorização da Vida): oferece atendimento gratuito, anônimo e 24 horas por telefone (188) ou no site cvv.org.br.

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