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Cooperativismo muda realidade de agricultores e recicladores na Paraíba

CBN Paraíba

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Quinze anos atrás, Marcos Ferreira era apenas mais um trabalhador rural em Rio Tinto, no Litoral Norte da Paraíba. Hoje, ele é dono do próprio negócio: cultiva acerolas de três espécies no Sítio Piabuçu e envia a maior parte da produção para a Cooperativa Agroindustrial local, a Frutiaçu. A transformação foi possível graças à estrutura coletiva que encontrou ali — e que mudou o rumo da sua história, como vemos no vídeo abaixo.

Os agricultores recebem apoio técnico da cooperativa, que tem parceria, por exemplo, com o Senar. “As visitas ocorrem mensalmente para cada produtor e nessas visitas fazemos tanto a parte técnica quanto a parte gerencial”, explica a técnica do Senar. Erica Almeida, que acompanha o grupo. “A gente tenta fazer com que o produtor enxergue a propriedade como um negócio. E, como todo negócio, tem gastos e tem receita.”

A produção dos cooperados vai direto para a cooperativa, onde as frutas passam por um rigoroso processo de limpeza, despolpa e embalagem. Hoje, a cooperativa recebe cerca de 30 toneladas de frutas por mês e fornece polpas naturais para escolas, programas sociais, o Exército e, em breve, supermercados — com a nova linha de embalagens de 100g, mais adequadas ao varejo. Tudo isso com apoio da energia solar, que garante economia e sustentabilidade.

Mas o sucesso das cooperativas exige mais do que boas intenções. Governança, profissionalismo e compromisso com o coletivo são pilares indispensáveis. “Tem gente que é cooperado, mas no dia a dia vai esquecendo disso. Vai vendendo para qualquer um que aparece. Busca o imediatismo e não pensa no futuro. Isso enfraquece o poder de negociação da cooperativa”, alerta Pablo Queiroz, Gestor de Projetos do Sebrae-PB.

Durante muito tempo, os erros de gestão afastaram o crédito das cooperativas. O Banco do Nordeste, por exemplo, passou muito tempo sem financiá-las diretamente. Mas, com o amadurecimento de muitas entidades, o apoio voltou, como detalha no vídeo abaixo o Superintendente do Banco do Nordeste na Paraíba, Rudrigo Araújo.

Essa ideia de cooperação como estratégia coletiva também chegou à energia. Há quatro anos, a primeira cooperativa de energia renovável do Nordeste, A Coopsolar, em Pitimbu, tinha apenas uma usina e produzia 15 mil kW por mês. Hoje, são 10 unidades que juntas abasteceriam o consumo de 833 residências com média de 300 kW mensais.

Wenia Saraiva, dona de uma doceria em João Pessoa, é uma das cooperadas. “Nessa busca por energia solar, conhecemos uma cooperativa que supria a nossa necessidade, sem precisar instalar placas. A energia chega com desconto na conta. Economizamos 15% por mês — mais de R$ 300. E para quem depende muito de energia elétrica, isso é bem razoável. Quando você faz as contas no ano, é um desconto significativo.”


Eduardo Braz, presidente da Coopsolar, explica: “Em vez de investir, você aluga e recebe créditos com desconto. Não precisa mudar nada na estrutura, nem fazer investimento. E o benefício é real, direto na conta.”

Já em Itabaiana, o foco é o meio ambiente e a dignidade de quem vive da coleta de recicláveis. Com o fim do lixão da cidade, nasceu a cooperativa de catadores, a Itamare. No começo, foi preciso muito esforço, interlocução e parceria com entes públicos, bancos e outras instituições, além do apoio fundamental de algumas figuras da cidade. Uma das principais você conhece no vídeo a seguir.

O presidente da Itamare, José Marques, lembra das dificuldades do início da jornada, quando o modelo cooperativista ainda não era conhecido e não foi bem aceito. “Depois de um ano, conseguimos botar as máquinas pra funcionar. No primeiro mês, ganhamos R$ 70, cada um. Aí correu todo mundo, ficou só eu e mais quatro mulheres. Eu fui pra cozinha e elas pra rua. Depois o pessoal voltou e a cooperativa hoje está bem”, conta com orgulho.

A estrutura da cooperativa também ganhou importância acadêmica. Virou laboratório para o Instituto Federal da cidade, que firmou uma parceria com excelentes frutos, como afirma no vídeo abaixo o Diretor do IFPB de Itabaiana, Henrique Nóbrega.

André Pacelli, presidente da OCB-PB, reforça que o caminho está aberto para quem quiser entrar. “Procure uma cooperativa perto de você. Converse com o gerente, com a diretoria. Você pode se associar e descobrir novas formas de crescer.” E, segundo Márcio Freitas, presidente nacional da OCB, o modelo é mais do que uma alternativa: é uma oportunidade. “É um modelo de negócio que gera desenvolvimento, prosperidade, reconhecimento. E o Brasil precisa muito disso.”

Quem sabe disso como poucos é Carla da Silva, catadora de recicláveis em Itabaiana. No vídeo, ela dá, em poucas palavras, uma verdadeira aula sobre a importância do trabalho que realiza, mostrando que, definitivamente, mãos que cooperam geram uma conexão única na busca pelo desenvolvimento.

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