A reta final da campanha na Paraíba tem mobilizado candidatos, partidos e, também, equipes da Polícia Federal e do Ministério Público Eleitoral que trabalham na repressão a práticas irregulares, como a propagação de fake news, o uso indevido da inteligência artificial e showmícios. Mas para além das novas tecnologias, há uma prática que corrompe a democracia e a consciência do eleitor: a compra de votos.
Essa semana conversei com o procurador regional eleitoral da Paraíba, Marcos Queiroga.
Embora a PRE não tenha dados específicos, já que as denúncias ficam espalhadas pelas zonas eleitorais do Estado, os relatos apontam que tem crescido nas últimas semanas denúncias desse tipo de crime.
No Estado a PF realizou, este ano, pelo menos três apreensões de dinheiro em espécie, que totalizam R$ 730 mil.
Mas é fato que a compra da consciência do eleitor não ocorre, necessariamente, pelo repasse de recursos financeiros em espécie ou via pix. O oferecimento de materiais de construção, cestas básicas e botijões de gás também são comuns nesse período; além de exames, cirurgias e outros favores.
Independentemente do formato escolhido, a ofensiva das candidaturas sobre o eleitorado, e também sobre lideranças políticas, é um dos mais perversos métodos usado nos processos eleitorais brasileiros. Uma conduta que precisa ser refutada pelo eleitor.
É que quem compra voto nesse período certamente buscará recuperar os “valores investidos”. E não há outra forma para esse ressarcimento senão através da dilapidação dos cofres públicos. A corrupção, crônica no Brasil, é alimentada a cada eleição em um roteiro pernicioso para a democracia.
A compra de votos continua sendo uma úlcera para o eleitor paraibano. Que precisará, no próximo 4 de outubro, repudiar essa prática.
