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Desvios no Padre Zé: veja o que diz Gaeco sobre participação de 16 citados em nova denúncia

CBN Paraíba

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Foto: Divulgação.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) denunciou mais uma vez o esquema criminoso instalado no Hospital Padre Zé (HPZ) e o Instituto São José (ISJ), organizações voltadas ao atendimento filantrópico.

Nesta nova denúncia, o MP citou os nomes do ex-secretário de Desenvolvimento Humano da Paraíba, Tibério Limeira, e da atual secretaria da pasta, Pollyanna Dutra, acusados de receber propinas e participar da aprovação de contratos fraudulentos.

Também foi denunciado o ex-diretor da unidade, Padre Egídio, considerado o “cabeça” da suposta organização criminosa.

A denúncia detalha como seria a participação de 16 investigados, com acusações de integrarem organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e peculato.

Abaixo um resumo da participação de cada denunciado, de acordo com peça do Ministério Público Estadual. 

1. Egídio de Carvalho Neto

Papel: Chefe da organização criminosa.

Acusações: Centralizava decisões administrativas e financeiras no Hospital Padre Zé (HPZ), Instituto São José (ISJ) e Ação Social Arquidiocesana (ASA). Coordenava desvios de recursos públicos e privados, recebia propinas e acumulava patrimônio incompatível, incluindo imóveis e bens de luxo.

2. Jannyne Dantas Miranda e Silva

Papel: Diretora administrativa do HPZ/ISJ.

Acusações: Viabilizava contas fraudulentas e falsos relatórios, assegurando a aprovação de prestações de contas. Recebia e repassava propinas, garantindo o funcionamento do esquema.

3. Amanda Duarte Silva Dantas

Papel: Tesoureira do HPZ/ISJ.

Acusações: Gerenciava os fluxos financeiros ilícitos, recebia propinas e as redistribuía conforme orientação de Egídio Neto. Mantinha controle escritural dos valores desviados.

4. Andrea Ribeiro Wanderley

Papel: Responsável pelos convênios e prestações de contas no HPZ/ISJ.

Acusações: Facilitava a aprovação de contas fraudulentas e intermediava o contato entre fornecedores e gestores para assegurar a continuidade do esquema.

5. Tibério Limeira 

Papel: Ex-secretário de Desenvolvimento Humano da Paraíba (SDH).

Acusações: Autorizava e aprovava convênios fraudulentos do Projeto Prato Cheio, recebendo propinas através de intermediários.

6. Pollyanna Werton Dutra

Papel: Sucessora de Tibério na SDH.

Acusações: Continuou os mesmos esquemas de desvios e recebimento de propinas, justificando pagamentos ilícitos.

7. Iurikel Souza Marques de Aguiar

Papel: Gestor de convênios na SDH.

Acusações: Aprovava prestações de contas fraudulentas, ignorando irregularidades. Recebia propinas diretamente ou via intermediários.

8. Kildenn Tadeu Morais de Lucena

Papel: Líder do núcleo de empresas fornecedoras.

Acusações: Coordenava empresas de fachada que forneciam serviços ao HPZ e desviavam recursos por meio de notas fiscais fraudulentas.

9. Sebastião Nunes de Lucena

Papel: Pai de Kildenn e administrador de empresas envolvidas no esquema.

Acusações: Facilitava os desvios de recursos gerenciando formalmente empresas do núcleo de Kildenn.

10. Sebastião Nunes de Lucena Júnior

Papel: Irmão de Kildenn e sócio em empresas fornecedoras.

Acusações: Emitia notas fiscais fraudulentas e participava do esquema de devoluções ilícitas.

11. Mariana Inês de Lucena Mamede

Papel: Proprietária de empresa de fachada vinculada ao núcleo de Kildenn.

Acusações: Formalmente administrava uma empresa usada para desviar recursos.

12. Maria Cassilva da Silva

Papel: Proprietária de empresa vinculada ao núcleo de Kildenn.

Acusações: Emissão de notas fiscais fraudulentas para formalizar desvios.

13. José Lucena da Silva

Papel: Ex-proprietário de empresas envolvidas no esquema.

Acusações: Facilitava desvios e gerenciava empresas que forneciam bens superfaturados ou inexistentes.

14. João Ferreira de Oliveira Neto

Papel: Filho de José Lucena e proprietário de empresa fornecedora.

Acusações: Responsável por intermediar pagamentos de propinas e repassar valores desviados.

15. Fillype Augusto Lima Bezerril

Papel: Genro de José Lucena e proprietário de empresa fornecedora.

Acusações: Emitia notas fraudulentas e gerenciava a devolução de recursos ao esquema.

16. João Diógenes de Andrade Holanda

Papel: Gestor de empresas de fornecimento de produtos médicos e hospitalares.

Acusações: Emitia notas fiscais falsas e participava de desvios, gerenciando repasses ilícitos.

Representação visual da estrutura do suposto. esquema, segundo MP..

O que dizem os citados 

A secretária Pollyanna Dutra emitiu nota por meio da assessoria informando que não teve acesso à denúncia, “desconhecendo o conteúdo e os supostos fatos narrados na matéria”.

“Ressalta-se que a conduta da Secretária Pollyanna Werton sempre foi retilínea, inexistindo qualquer mácula durante toda sua vida pública. Caso se confirme a existência de tal denúncia, será comprovada a ausência de participação da secretária em qualquer suposto ilícito. Mais uma vez, colocamo-nos à disposição do Ministério Público e demais órgãos de controle para contribuir com o esclarecimento dos fatos e a consequente punição daqueles que porventura tenham cometido ilicitudes”, diz a nota. 

Ainda não conseguimos declarações dos outros citados, mas assim que tivermos, faremos o registro aqui. 

Nota de Tibério Limeira 

Tibério Limeira afirmou que a denúncia apresentada contra ele baseia-se em documentos sem validade legal, que ele descreveu como “manuscritos que poderiam ter sido produzidos por qualquer pessoa e em qualquer tempo”.

Na nota, o secretário de Administração destacou que, desde o início do processo, colocou-se à disposição do Ministério Público, inclusive solicitando formalmente a oportunidade de colaborar com o esclarecimento dos fatos, mas alegou que nunca foi chamado para prestar esclarecimentos.

Ele concluiu reafirmando sua confiança na Justiça e em sua trajetória ética e responsável na administração pública.

Defesa do Padre Egídio

Já o advogado Luciano Santoro, que representa o padre Egídio de Carvalho, afirmou que ainda não teve acesso à denúncia, mas afirmou que deve se tratar de mais uma acusação “desprovida do mínimo de suporte probatório”.

“Ainda não tive acesso à essa nova denúncia. Assim, não tenho como fornecer a posição da defesa, sendo absolutamente leviano que o Ministério Público peça sigilo dos autos, impedindo o conhecimento dos fatos alegados pelo Sr. Egídio de Carvalho Neto e demais acusados, ao tempo que o oferecimento da denúncia é amplamente divulgado na mídia”, disse.

Governo da Paraíba

A SECOM do Estado disse que não vai se pronunciar e que os secretários vão se pronunciar de maneira independente.

Contexto do esquema

O esquema criminoso, desmantelado pela Operação Indignus, envolvia contratos superfaturados, emissão de notas fiscais fraudulentas e o desvio de recursos públicos destinados à população em situação de vulnerabilidade. A investigação revelou que grande parte dos valores era desviada para enriquecimento ilícito dos envolvidos.

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