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Enem 2026: entenda como funciona a redação e veja dicas para alcançar uma boa nota

CBN Paraíba

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					Enem 2026: entenda como funciona a redação e veja dicas para alcançar uma boa nota

Textos escritos pela estudante para praticar modelos de redação – Foto: Arquivo Pessoal.

Mabel Pontes

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 exige que os candidatos produzam um texto dissertativo-argumentativo sobre um tema de relevância social, científica, cultural ou política. Com pontuação que pode chegar a mil pontos, a prova avalia cinco competências, entre elas o domínio da língua portuguesa, a capacidade de argumentação e a elaboração de uma proposta de intervenção.

Para os estudantes que tiveram pouco tempo de preparação, a professora de redação Josy Kelly Santos orienta que a reta final seja dedicada à organização dos estudos e à compreensão dos critérios de correção.

“O importante nesta reta final é manter a calma e focar naquilo que funciona: resolução de questões (simulado). Apesar do pouco tempo, ainda há esperança”, explica.

Segundo a professora, o candidato deve estabelecer uma rotina com horários definidos para estudar, resolver questões e produzir pelo menos uma redação por semana. A recomendação é evitar o estudo de conteúdos isolados, sem planejamento, e concentrar os esforços nas principais exigências do exame.

Como funciona a redação do Enem?

De acordo com a Cartilha do Participante do Enem 2026, divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o candidato deve defender um ponto de vista sobre o tema proposto, utilizando argumentos consistentes e organizados de maneira coerente.

O texto também precisa apresentar uma proposta de intervenção social, com medidas relacionadas ao problema discutido e que respeitem os direitos humanos.

A redação é avaliada por, no mínimo, dois corretores independentes. Cada um atribui de zero a 200 pontos para cada uma das cinco competências, totalizando até mil pontos. Em condições normais, a nota final corresponde à média das duas avaliações.

As competências analisadas são:

  • Competência I: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
  • Competência II: compreensão do tema e desenvolvimento do texto dissertativo-argumentativo, com utilização de conhecimentos de diferentes áreas.
  • Competência III: seleção, organização e interpretação de informações e argumentos para defender um ponto de vista.
  • Competência IV: utilização de mecanismos linguísticos que garantam a articulação das ideias.
  • Competência V: elaboração de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

Para Josy Kelly, conhecer esses critérios é fundamental, especialmente para quem está começando a preparação. A professora recomenda a leitura das competências e a análise de redações que receberam nota mil em edições anteriores, como forma de compreender a aplicação dos critérios de avaliação.

Uso de repertório pronto pode prejudicar a nota

Um dos principais cuidados apontados pela professora é evitar a memorização de citações e referências genéricas, utilizadas indiscriminadamente em diferentes propostas de redação.

“Repertório coringa JAMAIS. O candidato, mesmo na reta final, precisa estudar por eixos temáticos (saúde, educação, meio ambiente, tecnologia, social e cultural) e, principalmente, confiar no seu conhecimento de mundo, ou seja, nos filmes, livros, contextos históricos ou atuais que ele já estudou”, destacou.

A orientação está alinhada à Cartilha do Participante 2026, que chama a atenção para o chamado “repertório de bolso”. Segundo o Inep, referências memorizadas, utilizadas de maneira automática e sem conexão efetiva com o tema, podem ser consideradas pouco produtivas e comprometer a pontuação na Competência II.

O documento recomenda que os candidatos utilizem conhecimentos que realmente contribuam para a argumentação, estabelecendo relações claras entre a referência escolhida e o problema abordado.

Filmes podem ajudar na construção da argumentação


					Enem 2026: entenda como funciona a redação e veja dicas para alcançar uma boa nota

Foto: Reprodução

Entre as possibilidades de repertório sociocultural estão filmes, livros, acontecimentos históricos e questões contemporâneas. Essas referências podem contribuir para o desenvolvimento do texto, desde que sejam pertinentes ao tema e utilizadas para sustentar os argumentos.

Em levantamento publicado pelo Jornal da Paraíba, a professora de redação Erika Leal destacou cinco filmes disponíveis no Globoplay que abordam problemas sociais e podem servir de referência para a prova.

Entre as produções estão Que Horas Ela Volta?, que aborda desigualdade social e relações de trabalho; Ainda Estou Aqui, relacionado à democracia e aos direitos humanos; e Bacurau, que apresenta discussões sobre resistência e desigualdade.

Também aparecem O Auto da Compadecida, que permite reflexões sobre pobreza, ética e desigualdade social, e Cidade de Deus, que retrata questões relacionadas à violência urbana, ao racismo e à exclusão social.

A utilização dessas obras, no entanto, não garante uma pontuação elevada. Conforme as orientações do Inep, é necessário demonstrar como o repertório contribui para a defesa do ponto de vista apresentado na redação.

O que pode zerar a redação do Enem?

Além de conhecer as competências avaliadas, os candidatos devem observar as situações que podem resultar em nota zero.

Segundo a cartilha do Inep, estão entre os motivos para anulação da redação a fuga total ao tema, o desrespeito ao tipo dissertativo-argumentativo, a apresentação de um texto com até sete linhas manuscritas e a inclusão deliberada de trechos desconectados do tema.

A presença de identificação fora do espaço permitido, a utilização predominante de língua estrangeira e a escrita ilegível também podem resultar em nota zero.

Para evitar esses problemas, a recomendação é ler atentamente a proposta, planejar os argumentos antes de iniciar a escrita e reservar um tempo para revisar o texto.

Na reta final de preparação, a orientação da professora Josy Kelly é priorizar a prática e o conhecimento das exigências da prova, em vez de tentar memorizar modelos prontos. O objetivo é que o candidato consiga desenvolver uma argumentação própria, coerente e relacionada ao tema apresentado.

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