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O mundo do cinema amanheceu com uma notícia muito triste nesta quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025. O ator Gene Hackman, sua mulher, Betsy Arakawa, e seu cachorro foram encontrados mortos na casa onde moravam, no Novo México.
Os corpos foram encontrados na tarde desta quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025. As primeiras informações da polícia são de que não há sinais de crime.
Gene Hackman tinha 95 anos, completados no último dia 30 de janeiro, e estava afastado do cinema há muitos anos. Não filmava desde 2004.
Gene Hackman era um dos maiores atores do mundo, com atuações absolutamente memoráveis. Não é possível pensar nele de outra maneira.
Gene Hackman demorou muito a fazer cinema. Quando começou, já tinha mais de 30 anos. Lembro dele, na minha infância, quando vi Hawaii, de 1966.
Hawaii era um drama épico dirigido por George Roy Hill, que depois ficou famoso por realizar Butch Cassidy e Golpe de Mestre. Os protagonistas eram Richard Harris e Julie Andrews. Gene Hackman fazia o papel de um reverendo.
Gene Hackman começou a se projetar mesmo em 1967, quando fez Bonnie e Clyde, Uma Rajada de Balas. Bonnie era Faye Dunaway. Clyde era Warren Beatty. Hackman era Buck, o irmão de Clyde. O filme de Arthur Penn é extraordinário.
Gosto muito de um filme pouco lembrado entre os muitos de Gene Hackman. É Sem Rumo No Espaço, de 1969. Marooned é o título original. Mostra a Nasa lutando para salvar astronautas que estão ficando sem ar numa nave.
Interessante nesse filme do veterano John Sturges é que ele conta uma história de ficção que aconteceria de verdade, em 1970, com os astronautas da missão Apollo XIII.
O triunfo total de Gene Hackman aconteceu em 1971, quando, sob a direção de William Friedkin, ele fez Operação França. Hackman é o agente Popeye nesse grande filme policial com o qual conquistou o Oscar de Melhor Ator.
O Destino do Poseidon, de 1972, é um dos primeiros exemplares do cinema-catástrofe da década de 1970. Filme muito popular, tem atores e atrizes incríveis, e Gene Hackman domina a cena no papel do reverendo Scott.
Em 1974, Francis Ford Coppola fez A Conversação entre O Poderoso Chefão e O Poderoso Chefão 2. É um grande filme com uma atuação soberba de Gene Hackman.
Em 1978, Gene Hackman foi o vilão Lex Luthor no Superman de Richard Donner. Em 1987, foi o Secretário de Defesa dos Estados Unidos em Sem Saída.
Em 1988, foi dirigido por Woody Allen num papel secundário em A Outra. Sob Clint Eastwood, em Poder Absoluto (1997), foi o presidente dos Estados Unidos.
Em 1992, dirigido por Clint Eastwood e atuando ao lado deste, ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu desempenho em Os Imperdoáveis. Gene Hackman é o xerife Bill Daggett nessa obra-prima que recuperou o gênero western.
Gosto muito do Popeye de Operação França, do Harry Caul de A Conversação e do xerife Daggett de Os Imperdoáveis. Mas meu Gene Hackman preferido é o agente do FBI Rupert Anderson, de Mississipi em Chamas, que Alan Parker dirigiu em 1988.
No Sul violento, arbitrário e abominavelmente racista, Gene Hackman divide uma investigação com Alan Ward (Willem Dafoe), seu colega no FBI. Ward acredita no cumprimento da lei. Anderson acha que é preciso sobrepor-se a ela.
O conflito entre os dois agentes está no centro da trama. O certo é sempre estar do lado da lei, mas é preciso reconhecer que o personagem de Gene Hackman lava a alma da gente quando dá uma surra no policial dentro da barbearia. Ali, é Gene Hackman, esse ator gigante, fazendo o seu melhor.