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Hytalo Santos: audiência sobre denúncia de trabalho análogo à escravidão é marcada

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					Hytalo Santos: audiência sobre denúncia de trabalho análogo à escravidão é marcada

Hytalo Santos – Foto: Redes Sociais.

Gustavo Demétrio

Uma audiência sobre o caso do influenciador Hytalo Santos e do marido dele, Israel Vicente, na Justiça do Trabalho, foi marcada para o dia 20 de março. Os dois são réus por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão, após uma denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT). 

A denúncia faz parte de outra investigação contra o influenciador, diferente da esfera criminal, cuja decisão foi publicada no domingo (22), na qual Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão, enquanto Israel recebeu pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias, ambas em regime inicialmente fechado.

A informação sobre a data da audiência foi confirmada pelo MPT que, em nota, afirmou que “o caso tramita em segredo de justiça por envolver situações de violência contra crianças e adolescentes e também para evitar a revitimização”.

O JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com a defesa dos influenciadores, mas não obteve resposta até o momento.

Quando Hytalo Santos e Israel Vicente se tornaram réus, em dezembro de 2025, a defesa informou que o MPT não tem “legitimidade para promover tal ação civil, age com base em informações e fatos desconectados da realidade, uma vez que a redução análoga à escravidão somente pode ser demonstrada quando existem condições degradantes nas quais as vítimas estariam inseridas, e isso nunca foi demonstrado”.

A denúncia, que foi aceita, faz parte de outra investigação contra o influenciador, diferente da esfera criminal, na qual ele já responde por produzir conteúdos de exploração sexual envolvendo adolescentes.

Segundo o MPT, há indícios de que Hytalo Santos adotava práticas irregulares com os menores, principalmente ao levá-los para morar em sua residência e submetê-los a condições de trabalho.

O órgão aponta as seguintes condutas:

  • Isolamento do convívio familiar;
  • Confisco de meios de comunicação com o mundo externo;
  • Ausência de convívio social mais amplo;
  • Cerceamento da liberdade de ir e vir;
  • Rígido controle sobre sua rotina;

Agenda exaustiva de gravações, inclusive com privação de sono;

  • Ausência de remuneração;
  • Supressão da autonomia individual;
  • Ausência de autonomia financeira;
  • Coação psicológica (ameaça permanente de descarte); e
  • Ingerências sobre a definição de sua identidade de gênero e sua orientação sexual.

A pedido do MPT, a Justiça do Trabalho expediu ofícios para diversos órgãos de garantia do bem-estar de crianças e adolescentes para imediato fornecimento de assistência psicológica, médica e social.

Desde agosto, a Justiça do Trabalho da Paraíba determinou o bloqueio de veículos, empresas, bens e valores que podem alcançar até R$ 20 milhões pertencentes ao influenciador Hytalo Santos e ao marido, Israel Vicente.

LEIA TAMBÉM: 

Hytalo Santos é condenado a mais de 11 anos de prisão por exploração sexual de adolescentes

Medidas cobradas pelo MPT

O Ministério Público do Trabalho solicitou à Justiça o pagamento de indenização e direitos morais coletivos, nas seguintes situações:

o pagamento de indenização por dano moral coletivo, no montante de R$ 12 milhões;

a reparação dos danos individualmente causados às crianças e adolescentes vítimas de exploração, mediante o pagamento de indenizações individuais que variam de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões.

No caso das vítimas que ainda não atingiram a maioridade, o órgão solicitou que o montante da indenização individual seja depositado em caderneta de poupança especialmente aberta para esse fim, sendo que o dinheiro só pode ser movimentado após os menores fazerem 18 anos.

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