Clarisse Oliveira/CMJP
As galerias da Câmara Municipal de João Pessoa foram ocupadas, nesta terça-feira (17), por grupos de movimento de mulheres, que foram protestar por mais políticas públicas para mulheres em situação de violência, e de ambulantes, que cobram apoio dos vereadores em relação ao assédio que teria sido praticado por delegado contra uma criança, na praia do Bessa.
A mobilização das mulheres foi puxada por ativistas do Movimento de Mulheres Olga Benário, que atua há 15 anos em todo o país. Representante do grupo, Vitória Ohara afirmou que a recente ocupação de um prédio na Avenida Duque de Caxias teve caráter político: dar visibilidade a demandas que, segundo ela, fazem parte da rotina de mulheres da classe trabalhadora.
“Realizamos a ocupação e elaboramos uma lista de reivindicações que são parte do nosso dia a dia enquanto mulheres”, disse.
Entre os principais pontos apresentados estão medidas práticas e de impacto imediato:
- ampliação do horário de creches
- passe livre no transporte público para mulheres vítimas de violência
- instalação de mais centros de referência
- funcionamento ininterrupto de delegacias especializadas
- ações permanentes de conscientização voltadas também aos homens
A repercussão no plenário foi imediata. O vereador Guguinha Moov Jampa (PSD) afirmou que pretende propor, em conjunto com o vereador Marcos Henriques (PT), a realização de uma sessão especial para aprofundar o debate.
A ideia é discutir tanto as reivindicações quanto a segurança nas ocupações urbanas, tema que vem ganhando espaço na cidade.
Ambulantes cobram punição a delegado
Em paralelo, ambulantes levaram à Câmara a indignação com um episódio que ganhou repercussão: o relato de que uma criança, filha de uma trabalhadora de quiosque na praia do Bessa, teria sido vítima de abuso.
Segundo informações apuradas pela polícia, o suspeito é um delegado vinculado à Corregedoria da Polícia Civil, órgão ligado à Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social.
Da tribuna, Marcos Henriques classificou o caso como grave e alertou para a recorrência desse tipo de situação. “É um absurdo o que aconteceu. Precisamos combater essa prática que assusta e, muitas vezes, nem chega ao conhecimento público por medo ou vergonha das vítimas”, afirmou.
O parlamentar também criticou a postura atribuída ao suspeito, que teria se valido do cargo para intimidar. “Essa lógica do ‘sabe com quem está falando?’ precisa acabar. Ninguém está acima da lei”, disse.
Uma comissão formada pelos vereadores Marcos Henriques, Jailma Carvalho (PSD), Odon Bezerra (PSB), Guguinha Moov Jampa e Milanez Neto (MDB). Eles se reuniram com representantes dos ambulantes e dentre os encaminhamentos está o envio de demandas às forças de segurança e a discussão sobre a regulamentação da atividade dos ambulantes, como forma de garantir mais proteção social à categoria.
