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O Agente Secreto traz lembranças de 1977

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					O Agente Secreto traz lembranças de 1977

Foto/Reprodução.

O carnaval de 1977 foi nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro. No filme O Agente Secreto, o personagem Marcelo/Armando chega ao Recife durante o carnaval de 1977.

O Agente Secreto, novo filme de Kleber Mendonça Filho, me traz muitas lembranças do ano de 1977. Reúno algumas delas nessa postagem. Começando pelo cinema.

Em 1977, a cerimônia de entrega do Oscar aos melhores filmes de 1976 foi em março. Cinco filmes disputaram a estatueta principal. Ganhou o pior: Rocky, Um Lutador.

Os outros eram Rede de Intrigas (Sidney Lumet), Todos os Homens do Presidente (Alan Pakula), Taxi Driver (Martin Scorsese) e Esta Terra é Minha Terra (Hal Ashby). 

Em Rede de Intrigas, um âncora de televisão anuncia no ar que vai cometer suicídio. Peter Finch, que fez o papel, morto dois meses antes, ganhou o Oscar póstumo de Melhor Ator. 

Do cinema para a ditadura militar brasileira. Uma lembrança forte do ano de 1977 está nessas palavras de Alencar Furtado, então deputado federal pelo MDB do Paraná: 

“Para que não haja no Brasil lares em pranto; para que as mulheres não enviúvem de maridos vivos, quem sabe, ou mortos, talvez – viúvas do quem sabe e do talvez; para que não tenhamos filhos de pais vivos ou mortos, órfãos do quem sabe e do talvez”.

Ulysses Guimarães, Paulo Brossard, Alceu Collares e Alencar Furtado falaram numa cadeia de rádio garantida por lei ao MDB. Alencar Furtado teve o mandato cassado.

O programa do MDB foi em junho de 1977. Dois meses antes, houve o pacote de abril. O presidente Ernesto Geisel, quarto general presidente, fechou o Congresso Nacional.

Em 1977, o presidente dos Estados Unidos era o democrata Jimmy Carter. Ficaria conhecido por botar na agenda global o tema da defesa dos direitos humanos.

Em 1977, sob Ernesto Geisel, a ditadura militar brasileira dava os primeiros sinais de que logo enfrentaria seus estertores, mas seu fim só ocorreria oito anos mais tarde.

Já que O Agente Secreto se passa no Recife, trago a lembrança de que, em 1977, quem governava Pernambuco era Moura Cavalcanti. O prefeito do Recife era Antônio Arruda de Farias. Ambos, o governador e o prefeito, naturalmente, nomeados pelos militares.

Elvis Presley e Charles Chaplin morreram em 1977. Também morreram naquele ano a cantora lírica Maria Callas, o roqueiro Marc Bolan e a escritora Clarice Lispector.

1977 foi o ano das patrulhas ideológicas. Os patrulheiros vinham de uma equerda mais ortodoxa. Os patrulhados pertenciam a uma esquerda mais moderna.

Dito hoje, parece piada, mas, em 1977, o Caetano Veloso que cantava “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome” era por muitos considerado um artista de direita.   

Em 1977, Caetano Veloso lançou o LP Bicho. Gilberto Gil, Refavela. Gal Costa cantava Negro Amor, versão de uma canção de Bob Dylan, e Elis Regina cantava Romaria

Em 1977, Pelé deu adeus ao futebol, jogando sua última partida em Nova York. O Cosmos, seu time, enfrentou o Santos da sua juventude. Pelé disse “love, love, love”. 

1977 foi o ano do primeiro Star Wars. O primeiro que, depois, virou o quarto da franquia. Chamávamos Guerra nas Estrelas. A estreia no Brasil ficou para janeiro de 1978.

Por muitos anos, o disco de Roberto Carlos foi indispensável no Natal dos brasileiros. Em 1977, ele cantava Amigo, Cavalgada, Muito Romântico e Jovens Tardes de Domingo.

Em 1977, o Brasil, finalmente, aprovou o divórcio. Tão condenado pela Igreja Católica, dizem que só foi possível porque o presidente Ernesto Geisel era protestante. 

No carnaval de 1977, eu tinha 17 anos. Em abril de 1977, fui ver Rede de Intrigas no Cine São Luiz, esse mesmo cinema que a gente vê hoje em O Agente Secreto

O Brasil é ruim de memória e bom de apagamento. Vasculhar a memória é fundamental. O cinema de Kleber Mendonça Filho faz a sua parte. 

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