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OLHA O GOL! OLHA O GOL! OLHA O GOL! É DO BRASIL!

CBN Paraíba

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					OLHA O GOL! OLHA O GOL! OLHA O GOL! É DO BRASIL!

Foto/Reprodução.

Não gosto de futebol. Costumo dizer que é um dos meus muitos defeitos. Por isso, não costumo entrar nessa vibe de torcida, de Copa do Mundo.

E não sou de arroubos patrióticos. Prefiro o Cazuza da letra do samba Brasil: “Grande pátria desimportante, em nenhum instante eu vou te trair”.

Mas o amanhecer dessa segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, pede tanto uma postura de torcedor quanto um verdeamarelismo que não se confunda com o da nefasta direita.

Não gosto de futebol, mas admiro Galvão Bueno e sua assinatura de grande narrador. Então: OLHA O GOL! OLHA O GOL! OLHA O GOL! É DO BRASIL!

Em 2012, em seu álbum Abraçaço, Caetano Veloso gravou uma música chamada A Bossa Nova é Foda. Liberou a palavra foda para uso por nós, jornalistas.

Então: Kleber Mendonça Filho é foda! As duas vitórias no Globo de Ouro o projetam, ainda mais, internacionalmente. Mas ele é foda desde o começo.

Não vi o Globo de Ouro. Vi o tapete vermelho e fui dormir. Acho chatas essas cerimônias americanas. Mas sei o quanto é importante sair de lá com duas estatuetas.

Importante para o filme, importante para a relação do cinema brasileiro com o mercado, essencial para os avanços da produção brasileira de audiovisual.

O Agente Secreto é o Melhor Filme em Língua Não-Inglesa. Brilhante, Wagner Moura, protagonista de O Agente Secreto, é o Melhor Ator na categoria drama. 

Kleber Mendonça Filho, esse pernambucano de 57 anos nascido no Recife, é um dos grandes cineastas do mundo, fazendo filmes que, sem qualquer exagero, devem ser postos ao lado dos melhores filmes realizados no mundo.

Kleber Mendonça Filho me traz a lembrança do imenso François Truffaut. Truffaut era um jovem crítico de cinema na França da década de 1950, migrou com êxito para a realização de filmes e entrou para a história do cinema na fundação da Nouvelle Vague. 

Kleber Mendonça Filho era um jovem crítico de cinema no Jornal do Commercio, logo ali, tão perto da gente. No Recife que a gente frequentou a vida toda para ver filmes, shows, comprar livros e discos. O Recife e sua extraordinária força cultural.

Kleber Mendonça Filho migrou da crítica de cinema para a realização de filmes. Primeiro, os de curta-metragem, conjunto onde está o excepcional Recife Frio

Depois, essa série já de cinco filmes absolutamente extraordinários de longa-metragem. Trajetória que começa com O Som ao Redor e chega agora a O Agente Secreto.  

Kleber Mendonça Filho era um excelente crítico de cinema. Kleber Mendonça Filho ama o cinema, conhece o cinema, pensa o cinema. E domina totalmente o seu fazer.

Kleber Mendonça Filho faz filmes na sua aldeia, sobre a sua aldeia, e os projeta para o mundo, porque há universalidade dentro deles.

O Brasil, não faz muito tempo, viveu dias tenebrosos. Hoje, felizmente, o personagem central daqueles dias tenebrosos está preso, pagando por parte do que fez.

O Agente Secreto se passa em 1977 e é um filme sobre a ditadura militar sem ser um filme sobre a ditadura militar. E é um filme sobre memória, o apagamento dela e a necessidade de que esse apagamento não ocorra. 

Em seu cinema, Kleber Mendonça Filho tem se debruçado obsessivamente sobre o tema da memória. Herança, certamente, de Jocelice Jucá, sua mãe, historiadora, pesquisadora, que atuou no Recife e morreu de câncer em 1995, aos 54 anos.

Kleber está em Marcelo/Armando, o personagem de Wagner Moura em O Agente Secreto. Jocelice está na busca de Marcelo/Armando pela memória da sua mãe.

O passado – 1977, com a foto oficial do presidente Ernesto Geisel na parede – dialoga com o presente, até o grande desfecho do filme, e eu não vou dar spoiler.

O Agente Secreto é um filmaço, perfeito em toda a sua construção narrativa. Já foi visto por mais de um milhão de brasileiros, e a gente espera que a vitória no Globo de Ouro impulsione ainda mais a sua trajetória nas salas de exibição. 

O Globo de Ouro abre caminho para O Agente Secreto no Oscar. Vamos ver. Por enquanto, viva Kleber Mendonça Filho! Viva Wagner Moura! Viva o cinema brasileiro!

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