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Léo Bezerra (PSDB) corre contra o tempo. Há seis meses no comando da Prefeitura de João Pessoa, ainda vive sob o fantasma da gestão do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), que deixou o governo em abril para se candidatar e acabou derrotado nas urnas (inclusive na capital).
Até a eleição do primeiro turno, desastrosa para o grupo, não havia muito o que fazer. As amarrações políticas e até a atuação mais tímida em meio ao processo eleitoral eram, para muitos, justificáveis.
Agora, passada a disputa eleitoral, Léo é cobrado a deixar para trás a fase de “sabor prefeito” e, de fato, imprimir sua marca na gestão. Precisa ser reconhecido pela população como o prefeito, com DNA próprio. Ele acredita que superou essa fase, mas…
É que muitos ainda não sabem que Léo está no comando. Outros acreditam que Cícero, após a derrota, voltaria à gestão. Está aí o primeiro desafio na construção de sua imagem.
Muitos acreditam que a mudança de secretários, com a chegada de novos nomes, seria a primeira medida. Por isso, cobram do gestor uma dança das cadeiras. Talvez seja uma forma de estabelecer um marco. Léo, porém, já sinalizou que as mudanças serão mais lentas, feitas no tempo necessário.
Mas, muito mais importante do que a troca de nomes (embora, em alguns casos, ela seja necessária) é mudar rapidamente o ritmo da gestão. Cobrar mais disposição, oxigenar a atuação das secretarias, exigir soluções rápidas para problemas herdados (bom lembrar que é da gestão que faz parte há 6 anos) e manter um olhar atento para a cidade. Sem mudanças significativas, porém, essa tarefa não será tão simples.
Um amigo lembra: “trocar nomes pode produzir manchetes, melhorar serviços é o que pode sustentar a autoridade do prefeito”.
Outras questões
Em outra frente, já é possível perceber que a população quer resultados. Exige uma cidade mais limpa, com coleta regular e mais organização. Espaços públicos e calçadas bem cuidados são o básico. Do Parque da Lagoa às pequenas praças dos bairros. Pode até servir como “maquiagem necessária”, mas melhora o bem estar, a mobilidade, a saúde.
Para ganhar peso político, Léo também terá de destravar obras. Há projetos paralisados por problemas judiciais e impasses com empresas, como o Parque da Cidade, sua maior vitrine. Há ainda o Parque do Róger, a conclusão da Ponte do Valentina, da Orla Sul, a construção do viaduto do Altiplano, a requalificação da Hilton Souto Maior e a reconstrução da área da quadra de Manaíra.
Sem falar no projeto João Pessoa Sustentável, com intervenções às margens do Rio Jaguaribe, iniciado na gestão de Cartaxo e que ainda não se tornou uma realidade plena.
Na saúde, será preciso estancar as reclamações sobre a ineficiência dos postos, onde falta até medicamento. São algumas das questões que surgem em qualquer conversa sobre a gestão da cidade.
As primeiras ações, é preciso registrar, já apareceram: operação de zeladoria na cidade, entrega do Largo da Penha, requalificação do Largo da Gameleira, retirada da fiação da orla.
Mas só superando velhos problemas e imprimindo mudanças visíveis o prefeito conseguirá demonstrar sua viabilidade para uma reeleição em 2028.
A construção de sua liderança, com entregas, resultados, pulso firme na tomada de decisões e posicionamento político claro, precisa acontecer rapidamente. Não é um desafio fácil. Léo tem, talvez, um ano para isso. Até o fim de 2027.
Nesse intervalo, novos players vão desenhando o cenário político, de olho na força que o gestor conseguirá demonstrar (ou não) nas ruas e na percepção da população.
Já foram colocados no jogo Cabo Gilberto, Ricardo Coutinho, Wilson Filho, Eduardo Carneiro e até João Azevêdo. Todos com força eleitoral, articulação política, partidos fortes ou exemplos de boa gestão.
Léo tem a caneta e pouco tempo para mostrar que, por meio de uma gestão eficiente, pode se tornar o principal polo de atração na próxima disputa.
