Apesar da tendência nacional de alta, estado registra queda nos casos. Especialista em segurança pública explica os três destinos mais comuns dos veículos roubados e orienta motoristas sobre como evitar abordagens
A Paraíba tem registrado redução nos índices de roubos e furtos de veículos, na contramão da tendência nacional de alta nesse tipo de crime patrimonial. A avaliação é do delegado superintendente da Polícia Civil da Paraíba, Cristiano Santana, que atribui o resultado a uma combinação de operações policiais, trabalho de inteligência, integração entre as forças de segurança e uso de tecnologia.
“A gente vem fazendo um trabalho seguindo determinação da Secretaria de Segurança e Defesa Social e da Delegacia Geral no intuito de fomentar as operações, juntamente com a nossa inteligência, para o enfrentamento aos roubos e furtos de veículos. A gente vê, com os dados divulgados até o final de agosto, essa redução, que atribuímos às operações desencadeadas, ao trabalho de inteligência e ao Centro Integrado de Comando e Controle, o CICC, que otimiza o tempo de compartilhamento de dados entre as forças e permite uma pronta resposta para localizar o veículo e prender os autores.”
Segundo o delegado, a integração entre as forças de segurança pública tem sido fundamental.
“Não é um trabalho de só uma instituição, mas são as forças integradas, e aí fez com que esses números tivessem uma redução expressiva, significativa, nesse roubo e furto veicular. Isso é uma tendência nacional de aumento nesse tipo de crime patrimonial, especificamente em relação a veículo automotor, e a gente vê que o trabalho feito aqui dentro do estado da Paraíba denota realmente essa redução.”
Três destinos dos veículos roubados
De acordo com o delegado, os grupos criminosos especializados em roubo e furto de veículos atuam em três frentes principais, com maior incidência para a primeira delas.
“Boa parte desses veículos é furtada ou roubada para se utilizar esse instrumento na prática de outros crimes, como homicídio. Também há um percentual que é subtraído para clonagem, com alteração de todos os sinais identificadores de um carro similar para que transite com aparente legalidade. E também existe um mercado de desmanche para autopeças. A gente vê três frentes de atuação, mas a maior incidência é o veículo subtraído para cometimento de outro delito e em seguida o abandono. Com a implementação do CICC, há uma pronta resposta das equipes, que conseguem localizar o veículo. A cada ano aumenta o índice de recuperação desses veículos e a devolução aos legítimos proprietários.”
Relato de uma vítima
O empresário Fábio Andrade foi abordado por um homem armado quando chegava a um supermercado, acompanhado da esposa, que está grávida. Ele relatou como foi a ação.
“A gente tava chegando num supermercado, que a gente tava fazendo um serviço lá. Quando a gente chegou, esse rapaz abordou a gente, disse que era de uma certa facção, e pediu pra eu desembarcar do veículo e a minha esposa também, senão ele ia matar ela. Aí pediu a chave do carro e se evadiu no carro do local.”
Fábio contou que manteve a calma para proteger a esposa e a filha que esperam.
“Eu fiquei tranquilo, depois veio uma sensação de angústia muito grande, porque é meio que insuficiência, né? De não ter conseguido fazer nada na hora. É por isso que eu não tomei nenhuma atitude na hora, pensei nela e na nossa filha. O carro foi recuperado. A gente saiu pesquisando as câmeras, fazendo toda a trajetória que o meliante fez, e o pessoal que viu o carro fez a denúncia e a gente conseguiu recuperar o veículo.”
Orientações ao motorista
O delegado Cristiano Santana destacou dois comportamentos que podem reduzir o risco de abordagens criminosas. O primeiro é redobrar a atenção no embarque e desembarque do veículo, reduzindo ao máximo o tempo de permanência nesses momentos. O segundo é evitar a distração ao celular.
“Nos registros do boletim de ocorrência, o proprietário informa em grande parte das vezes que estava distraído ao celular no momento da abordagem. São dois comportamentos essenciais que podem mitigar essas ações.”
Em caso de roubo com violência, o registro do boletim de ocorrência deve ser feito presencialmente, na unidade da Polícia Civil mais próxima. A partir do registro, a investigação é iniciada para identificar e localizar os autores do crime.



