Uma apuração da rádio CBN com dados solicitados ao IBGE mostra uma queda no número de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos que se declaram em relação conjugal no estado da Paraíba. A análise leva em consideração as informações coletadas no último censo demográfico, em 2022, e nas duas edições anteriores, em 2010 e 2000. A queda em duas décadas foi de cerca de 50%.
Em 2022, 1.065 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos foram registradas como parte de uma relação conjugal na Paraíba. Esse número é quase a metade do registrado no ano 2000, 2.156 crianças e adolescentes. O número oscila para cima e atinge o ápice nesse século no censo de 2010, que registrou 2.684 pessoas nessa faixa etária dentro de relações conjugais.
Em João Pessoa
A maioria dos casos se concentra fora da capital. Em João Pessoa, foram registradas 66 crianças e adolescentes em relações conjugais no censo de 2022. Uma queda maior que 70% se comparado aos números do ano 2000, que registrou 229 pessoas nessa faixa etária em relação conjugal.
A queda é maior e chega a 80% se a comparação for em relação à década passada. Em 2010, 340 pessoas entre 10 e 14 anos estavam em relação conjugal na capital paraibana.
Alta disparidade de gênero
Chama atenção a diferença nos números entre meninas e meninos nos dados mais recentes dessa pesquisa. Em 2022, das 1.065 crianças e adolescentes em união conjugal, 960 eram do sexo feminino enquanto 104 eram do sexo masculino.*
A proporção é de cerca de 90,14% de meninas e 9,77% meninos. Ou seja, a cada 10 crianças e adolescentes em relação conjugal na Paraíba, 9 são meninas. Uma proporção maior que a média nacional, que é de quase 8 meninas a cada 10 registros.
Média nacional
A média paraibana desse tipo de união é maior do que a média nacional. Em 2022, o Brasil registrou mais que 34 mil crianças e adolescentes em união conjugal. Levando em consideração a população brasileira nessa faixa etária, 13,5 milhões, a média fica em 0,25%. Ou seja, aproximadamente 1 em cada 397 pessoas dessa faixa etária.
Já na Paraíba, o indicador é mais elevado. Num universo de 283 mil crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos no estado, 1.065 em relação conjugal representa cerca de 0,57% dessa população. Assim, aproximadamente 1 em cada 177 pessoas dessa faixa etária estava vivendo em algum tipo de união conjugal no ano de 2022.
O estudo leva em consideração como “união conjugal” as uniões consensuais, casamento civil e religioso, somente casamento civil ou somente o casamento religioso.
*A soma de 940+104 é igual a 1064, provavelmente algum caso foi registrado sem gênero definido.




