Se estivesse viva, Preta Gil teria completado 52 anos no sábado passado, oito de agosto de 2026. Ela morreu no dia 20 de julho de 2025.
Dois retratos dela estão disponíveis no Globoplay: o documentário Eu Não Ando Só e a série Meu Nome é Preta, que tem quatro episódios.
Há poucos dias, Gilberto Gil participou do Saia Justa, programa do canal GNT comandado por Eliana. No meio da conversa, ele contou um episódio da infância.
Gil era criança, bem criança, quando a mãe perguntou o que ele queria ser quando crescesse. “Quero ser musgueiro e pai de menino”, foi a resposta.
O sonho de Gilberto Gil se realizou plenamente. Ele se tornou um grande nome da música popular do Brasil e foi pai de cinco filhas e três filhos.
Depois, à medida em que foi crescendo, Gilberto Gil desejou mais como “pai de menino”: que suas filhas fossem boas, que seus filhos fossem bons.
O documentário e a série sobre Preta falam disso. Da realização do desejo do pai e da presença do seu legado de homem bom na formação dos filhos.
Dirigido por Sandra Kogut e Mônica Almeida, Eu Não Ando Só é um documentário. Feito para televisão, é como um filme que a gente poderia ver no cinema.
É um registro íntimo editado a partir de muitos registros não profissionais. Está muito focado no câncer diagnosticado em 2023 e no enfrentamento da doença.
Dirigida por Mini Kerti, Meu Nome é Preta tem a linguagem de uma série de televisão. Em quatro episódios, conta a história da vida de Preta Gil.
O documentário Eu Não Ando Só e a série Meu Nome é Preta são completamente diferentes. Mas são muito positivamente complementares.
E são guiados pela emoção. A emoção da família, a emoção dos amigos de Preta. E, por fim, a emoção que provocam no espectador, sabedor do desfecho trágico.
Preta era a materialização do desejo de Gil de que seus filhos fossem pessoas boas. É o que vemos na Preta que nos é apresentada entre a alegria e a dor.
A bondade, a generosidade, a solidariedade, o amor pela amizade e a facilidade com que fazia amigos, as necessárias e tão salutares transgressões.
A alegria esfuziante que alcançava seu ponto alto nos carnavais, em cima do trio, e a coragem com que lutou contra a misoginia, o racismo, a homofobia e a gordofobia.
A consciência de que, enfrentando a doença de peito aberto, para além de comover milhões de pessoas, cumpriria papel importante junto a pacientes anônimos.
A médica Roberta Saretta chora, porque também era amiga, e revela que, ao lidar publicamente com o câncer, Preta fez aumentar o número de colonoscopias.
Tudo isso é Preta Gil. Tudo isso é o que nos oferecem o documentário Eu Não Ando Só e a série documental Meu Nome é Preta.
A morte de Preta é muito recente. O luto ainda não acabou. O choro interrompe a fala de Flora. A serenidade e a dor se misturam na fala do filho Francisco.
O tio Caetano, a mãe Drão, as irmãs, os irmãos, a neta, as amigas Carol e Amora, o amigo Gominho. Tanta gente que recebeu o amor de preta e que a ela deu amor.
E Gilberto Gil, esse homem sábio, o pai que já enterrara um filho. Ali, sempre no limite entre as lembranças que o fazem sorrir e o choro contido.
Nós, os espectadores do documentário e da série documental, também sorrimos com a alegria de Preta Gil. E choramos diante do sofrimento dela.


