Pediatra alerta para riscos do andador, uso de equipamentos de proteção e supervisão adequada em cada faixa etária
As quedas lideram os atendimentos no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. Em 2025, a unidade ultrapassou 118 mil atendimentos, e as quedas responderam por 14% das entradas . Entre os pacientes, as crianças de 0 a 12 anos formam um grupo recorrente: apenas em um fim de semana de fevereiro de 2026, 115 crianças nessa faixa etária deram entrada na emergência . No período do Carnaval, foram 131 atendimentos pediátricos por esse tipo de ocorrência .
Para o pediatra Constantino Giovanni, o fenômeno tem relação direta com o processo natural de desenvolvimento infantil.
“A criança é um ser curioso em desenvolvimento. Quando adquire determinadas habilidades, ela vai reproduzir essas habilidades de forma repetitiva”, explica.
Segundo ele, nos primeiros dois anos de vida, as quedas estão mais associadas à mobilidade: subir em sofás, camas, escadas e trocadores.
O especialista faz um alerta específico sobre um equipamento amplamente utilizado por famílias.
“O andador não faz andar rápido e não tem freio. Em ladeira, escada ou velocidade, a criança perde o controle. Andador é completamente contraindicado”, afirma.
Quando a criança cresce e passa a correr, andar de bicicleta, patins ou patinete, o risco se desloca para as atividades recreativas. O pediatra reforça a importância de equipamentos de proteção, capacete, joelheira e cotoveleira e da adequação de cada brinquedo à idade e à habilidade motora da criança.
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) dimensionam o problema em nível nacional. Entre 2016 e 2025, mais de 330 mil crianças com menos de 10 anos foram internadas por quedas no Brasil. Somente no primeiro semestre de 2026, foram quase 15 mil internações nessa faixa etária .
A recomendação final do pediatra é por equilíbrio: manter a criança ativa, mas em ambiente seguro.
“Criança precisa ir para a praça, precisa correr, pular, brincar. Mas precisa fazer isso em ambiente aberto e com segurança”, conclui.
Em caso de queda com sinais como vômitos, sonolência excessiva, convulsões ou dificuldade para caminhar, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de emergência.




