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Viva Caetano! Viva Bethânia!

CBN Paraíba

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					Viva Caetano! Viva Bethânia!

Foto/Divulgação.

Caetano Veloso e Maria Bethânia ganharam, na noite deste domingo, 01 de fevereiro de 2026, o Grammy na categoria de Melhor Álbum de Música Global. 

O prêmio foi pelo disco CAE – BTH, Caetano e Bethânia ao Vivo, registro integral do show da turnê realizada em várias cidades brasileiras em 2024/2025.

Não é o primeiro Grammy de Caetano Veloso. Mas é o primeiro Grammy da carreira de Maria Bethânia, que vai completar 80 anos em junho próximo.

O Grammy está para a música como o Oscar está para o cinema. É um prêmio da indústria da música e não deve ser confundido – por ser muito maior – com o Grammy Latino.

Vi o show em outubro de 2024, quando de sua passagem pelo Recife. O texto que publiquei em 28 de outubro de 2024 é esse que reposto agora. Falo do repertório e do significado desse reencontro de Caetano Veloso com sua irmã Maria Bethânia.

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No começo do show, depois da abertura com Alegria, Alegria, tem Os Mais Doces Bárbaros, que é de 1976, do ano em que Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia saíram em turnê para celebrar a música e a amizade deles.

Perto do final do programa, tem Tudo de Novo, que é de 1978, do repertório do show que Caetano Veloso e Maria Bethânia fizeram naquele ano e que se transformou num álbum gravado ao vivo no Canecão, Rio de Janeiro.

“Com amor no coração/Preparamos a invasão/Cheios de felicidade/Entramos na cidade velha” – diz a letra de Os Mais Doces Bárbaros.

“Meu povo, sofremos tanto/Mas sabemos o que é bom/Vamos fazer uma festa/Noites assim, como esta/Podem nos levar pra o tom – diz a letra de Tudo de Novo.

As duas canções têm quase a mesma idade, mas, no show, uma está no começo, e a outra está no fim do repertório. Uma abre, a outra fecha. As duas comentam a vida de artista dos irmãos Veloso e o vínculo profundo que construíram com o público.

Caetano Veloso e Maria Bethânia estão em turnê pelo país. O show olha para a carreira deles em retrospecto. Tem beleza singular e uma força que nos emociona e comove.

Caetano Veloso é o principal autor das canções apresentadas no show. A evocação da juventude, na segunda metade da década de 1960, e do movimento tropicalista – isso aparece em Alegria Alegria, Tropicália, Não Identificado, Baby.

Essas canções passaram pelo teste do tempo, da permanência, e estão crescendo à medida em que envelhecem. Crescem porque se tornaram ainda maiores e ainda mais bonitas do que já eram na época em que foram lançadas.

Gente, Oração ao Tempo, Um Índio, Cajuína, O Leãozinho, Odara – essas são da década de 1970. Um Índio permanece assustadoramente atual. Gente tem o verso que resume tudo nesse Brasil desigual: “Gente é pra brilhar/Não pra morrer de fome”.

Você é Linda, O Quereres, Vaca Profana, Milagres do Povo e Reconvexo já são dos anos 1980. O Quereres é extraordinário exercício poético de Caetano. Vaca Profana, com sua pegada rock’n’ roll, faz homenagem a Gal. Milagres do Povo tem tanto o ateu que há em Caetano quanto o que há em Jorge Amado.

Caetano Veloso sempre foi um grande performer. Maria Bethânia é ainda mais. Um dos pontos altos do show é quando ela, sozinha no palco, apresenta um set “matador” de sucessos de sua carreira.

Brincar de Viver (Guilherme Arantes), Explode Coração (Gonzaguinha), As Canções que Você Fez Pra Mim (Roberto e Erasmo Carlos,) Negue (Adelino Moreira) e Vida (Chico Buarque) são as escolhas certeiras.

Essa sequência mostra porque, há décadas, Maria Bethânia é Maria Bethânia, com toda a expressividade do seu canto e o incrível domínio que tem do espaço cênico. A plateia recebe em êxtase essa sequência de canções tão populares.

Quando está sozinho no palco, Caetano Veloso canta o gospel Deus Cuida de Mim, do pastor Kleber Lucas. A plateia não tem reagido bem a esse número, mas, com coragem e lucidez, o que Caetano quer dizer é que não é mais possível pensar o Brasil contemporâneo sem considerar o crescimento do segmento evangélico.

Voz e violão, em Sozinho, de Peninha, Caetano magnetiza o público num dos momentos mais fortes do show. Também é o intérprete que está em cena em Você Não me Ensinou a te Esquecer, de Fernando Mendes, gravada para o filme Lisbela e o Prisioneiro.

“Aqui é o fim do mundo/Aqui é o fim do mundo” – Marginália II dá conta do Brasil de 1968 e traz Gilberto Gil para o repertório. Tão importante na história do carnaval da Bahia, Filhos de Ghandi é homenagem explícita a Gil.

Sei lá, Mangueira não é escolha óbvia. Caetano canta esse samba lindo de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho abrindo o tributo à Mangueira.

“Belo é o Recife pegando fogo/Na pisada do maracatu” – um pequeno trecho de Festa, do jovem Gonzaguinha, celebra o amor pela cidade e enche de orgulho os recifenses.

Por duas horas e com 40 músicas, o show tem caráter de antologia e é uma espécie de autorretrato de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Também é sobre o diálogo profundo do Brasil com a sua música popular. O que nos arrebata é que esse conjunto de canções faz parte da vida da gente.

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