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“9 em cada 10 reais produzidos na Paraíba estão em risco”, afirma presidente do Farol PB

CBN Paraíba

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					"9 em cada 10 reais produzidos na Paraíba estão em risco", afirma presidente do Farol PB

O I Fórum do Farol PB reuniu representantes da classe empresarial para um debate sobre o fim da escala 6 x 1.

(Foto: Plínio Almeida)

É um dos temas mais debatidos no país, atualmente. Ainda mais faltando poucas semanas para a votação da matéria na Câmara dos Deputados. Levar a plenário o fim da escala 6 x 1 ainda em maio de 2026 foi promessa reiterada há poucos dias pelo presidente da casa, Hugo Motta, em audiência pública da Câmara realizada na Assembleia Legislativa da Paraíba. Pelo que temos observado, praticamente ninguém nega os efeitos positivos de uma escala 5 x 2 para os trabalhadores no quesito justiça social. Um dia a mais de folga significa descanso, menos estresse e doenças ocupacionais, maior tempo para a convivência familiar, estudos e qualificação profissional. Mais tempo livre também pode estimular o consumo em setores como turismo, cultura e gastronomia.

O setor produtivo, porém, insiste na seguinte pergunta: “quem vai pagar a conta?”. O questionamento esteve presente no I Fórum do Farol de Desenvolvimento da PB, entidade que reúne empresários e representantes de vários setores da economia paraibana. De acordo com estudos apresentados no evento, muitos segmentos serão afetados de forma avassaladora, caso sejam obrigados a seguir uma nova escala de trabalho. O presidente do Farol, José Carneiro, afirma que 9 em cada 10 reais produzidos na Paraíba estão em risco sem um estudo profundo do impacto da medida nos principais motores da economia do estado. Isso viria, conforme Carneiro, com o aumento do custo operacional e impacto na folha de pagamento para quem precisar contratar mais colaboradores. E risco de demissões pela substituição de mão de obra por automação para compensar a perda de horas trabalhadas.


Radiografia do Choque

Segundo cálculos da entidade, cada setor apresentaria o seguinte cenário na Paraíba diante de uma nova escala:

Serviços (o vetor inflacionário)

Custo Direto: aumento de +20% a 25% na folha de pagamento.

Risco Estratégico: hospitalidade 24/7 inviabilizada. Representa o maior vetor de propagação inflacionária em toda a cadeia local (dados CEBRASSE).

Comércio e Varejo (o empregador)

Custo Direto: aumento de +15% a 20% na folha de pagamento.

Risco Estratégico: margens líquidas apertadas (2-5%) empurram pequenas e microempresas para a informalidade de sobrevivência. O setor abriga 1 em cada 4 vagas formais do país.

Construção Civil (o termômetro)

Custo Direto: aumento de +18% a 25% nos custos diretos de obra.

Risco Estratégico: apagão de produtividade nos canteiros. A alta imediata do CUB-PB (Custo Unitário Básico da Paraíba) pode paralisar o mercado imobiliário de João Pessoa.


Agroindústria (o pilar do Interior)

Custo Direto: Aumento de +15% a 20% na folha de pagamento.

Risco Estratégico: Inflexibilidade dos ciclos biológicos da cana-de-açúcar exige um 4º turno imediato, o que retira a competitividade internacional do setor.

Citação

O fim da escala 6 x 1 é uma medida assodada, superficial e eleitoreira

José Carneiro – Pres. Farol de Desenvolvimento da Paraíba


					"9 em cada 10 reais produzidos na Paraíba estão em risco", afirma presidente do Farol PB

Evento com empresários e representantes do Farol PB aconteceu em João Pessoa.

(Foto: Plínio Almeida)

O sócio-diretor do grupo Conserpa & Enger, referência na construção civil da Paraíba, está preocupado com o andamento das discussões. José William Montenegro Leal, afirma: “o debate está sendo colocado de maneira equivocada. A construção civil já pratica o 5 x 2 desde a Constituição de 1988 na base do diálogo. Nós não somos contra a flexibilização, mas nós somos contra a imposição de não poder praticar qualquer tipo de jornada diferente da 5 x 2”. O empreário citou, ainda, outro setor que pode sofrer, segundo ele, um colapso. “O Comércio, hoje, já trabalha sete dias por semana. E não tem ninguém ali obrigado. Pelo contrário. Existem as remunerações extras e as compensações, tudo feito na base do diálogo, com a intermediação das lideranças sindicais”, disse José William.

Argumentos não faltam de parte à parte. E a delicadeza do tema reside, justamente, no alto percentual de justiça  sobre o que ambos os lados defendem. Mas a verdade é que mudanças estruturais merecem debates profundos e não costumam admitir erros básicos, sob pena de comprometimento da vida socioeconômica do país, mais do que ela já está. 

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