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O Agente Secreto está na estrada desde o Festival de Cannes, em maio de 2025. Foram 10 longos meses até o Oscar, na noite deste domingo, 15 de março de 2026.
A partir de novembro, O Agente Secreto foi visto por dois milhões e meio de pessoas nos cinemas brasileiros. Na Europa, já teve cerca de um milhão de espectadores.
Em sua trajetória, o filme de Kleber Mendonça Filho acumulou prêmios pelo mundo (incluindo Cannes, Globo de Ouro) e foi quatro vezes indicado ao Oscar.
O Agente Secreto é o melhor filme de 2025. É minha opinião, mas é também a opinião de gente que comentou e escreveu sobre o filme dentro e fora do Brasil.
Ganhar o Oscar é muito importante, mas não ganhar não macula em nada a dimensão extraordinária desse filme nem o grande projeto estético do seu realizador.
Quando fui ao cinema ver Valor Sentimental, escrevi aqui na coluna que o representante da Noruega era um perigo para o representante do Brasil. Confirmou-se.
O Agente Secreto é o melhor filme de 2025, mas Valor Sentimental, tão bergmaniano, é um belíssimo filme, excepcional mesmo, e sua vitória deve ser festejada.
Hamnet, A Vida Antes de Hamlet, é outro belíssimo filme da temporada. Deu o Oscar de Melhor Atriz a Jessie Buckley, e não havia ninguém que merecesse mais do que ela.
Pecadores, com 16, foi recordista de indicações, mas só levou quatro. Ou melhor: perdeu em 12. Vi no cinema, e o encontro dos blues com vampiros não me convenceu.
O prêmio de Melhor Ator ficou para Michael B. Jordan, que faz gêmeos em Pecadores. Ele está muito bem, mas Wagner Moura está muito melhor em O Agente Secreto.
Foi bonito ver Paul Thomas Anderson, aos 55 anos, ganhar a estatueta de Melhor Diretor por Uma Batalha Após a Outra. De certa forma, coroa a sua trajetória.
Havia um certo consenso de que Uma Batalha Após a Outra – ou Pecadores – seria o grande vencedor do Oscar. Prognósticos confirmados, conquistou seis estatuetas.
Claro que Uma Batalha Após a Outra é um bom filme, mas não me empolgou. Seu êxito passa também pelo quanto se faz oportuno e necessário na América sob Trump.
Como não gosto de futebol nem de verdeamarelismos, desejei com serenidade a vitória de O Agente Secreto. Não deu, vida que segue, sem sofrimentos.
O Agente Secreto não terminou no Oscar. Ainda está nos cinemas e chegou ao streaming. Kleber Mendonça Filho já pensa no próximo filme. Viva o cinema brasileiro.
