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Bichos Escrotos, Anitta e a geração Z

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					Bichos Escrotos, Anitta e a geração Z

Foto/Divulgação

“Vão se foder/Porque aqui na face da terra/Só bicho escroto/É que vai ter”. Esses versos ecoaram no Brasil que se redemocratizava, na segunda metade dos anos 1980.

Era o rock Bichos Escrotos, uma das faixas do álbum Cabeça Dinossauro, dos Titãs. Cabeça Dinossauro é o terceiro disco da banda formada em São Paulo.

Lançado em 1986, Cabeça Dinossauro é considerado um dos discos mais importantes do rock brasileiro. Lá estão também Polícia, Família e Homem Primata.   

Muito bem. 40 anos se passaram, e o rock Bichos Escrotos virou um funk na voz de Anitta. Está na trilha de Corrida dos Bichos, o novo filme de Fernando Meirelles.    

Corrida dos Bichos é apresentado como um filme de ficção-científica, e, na direção, ao seu lado, Fernando Meirelles tem Rodrigo Pesavento e Ernesto Solis.

Quem gosta da versão rock dos Titãs, de 1986, também pode gostar da versão funk de Anitta, de 2026, para Bichos Escrotos. Uma coisa não elimina a outra.

Bichos Escrotos, com sua letra-porrada, é um dos grandes rocks do rock nacional.  Anitta trouxe a música para os dias de hoje, transformando-a num funk irresistível.

O curioso foi a reação de parte da geração Z. Nas redes, garotos e garotas pensaram tratar-se de uma música de Anitta. Desconheciam que é dos Titãs.

Bichos Escrotos. Quer dizer que esse funk “novo” de Anitta é um rock dos Titãs de 40 anos atrás? Resumo com essa pergunta o que a meninada botou nas redes.

Não critico. E, muito sinceramente, não estranho. Apenas constato que a reação é símbolo do mundo em que passamos a viver depois do terremoto digital.

Não critico nem estranho, mas faço um registro. Em 1972, eu tinha 13 anos quando os Novos Baianos abriram o álbum Acabou Chorare com o samba Brasil Pandeiro.  

Aos 13 anos, eu sabia que Brasil Pandeiro não era uma música dos Novos Baianos. Claro. Era um samba que Assis Valente fez para Carmem Miranda por volta de 1940.

Não se pretende negar os extraordinários benefícios dos avanços tecnológicos. Mas não custa reconhecer que eles também estão emburrecendo as pessoas. 

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