Reprodução/TV Cabo Branco
O contato com água acumulada por enchentes pode trazer riscos imediatos e de longo prazo à saúde, segundo especialistas. Apesar de muitas vezes parecer limpa, a água das enchentes pode conter lixo, esgoto, matéria orgânica, vírus e bactérias causadores de doenças.
Na Paraíba, o alerta ocorre após as fortes chuvas registradas em regiões do estado desde 1° de maio, que levaram 31 municípios a decretarem situação de emergência. Segundo o último relatório divulgado pelo Governo da Paraíba na segunda-feira (4), mais de 3 mil pessoas seguem fora de casa por causa das chuvas no estado. Ao todo, 2.774 pessoas ficaram desalojadas e 241 estão desabrigadas. O levantamento também aponta que mais de 37 mil pessoas já foram afetadas pelos temporais.
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De acordo com a médica especialista em medicina da comunidade Bruna Ávila, doenças infecciosas estão entre os principais perigos para pessoas expostas a áreas alagadas.
“Na verdade os riscos são diversos. Quando a gente fala do contato direto, a gente tá falando de doenças variadas como diarréias de origens diversas, hepatite A, que é uma doença mais séria. Quadros até mais graves de leptospirose pelo contato com a urina de animais. Doenças de pele variadas ali, porque a gente tá lidando com uma diversidade de vírus e bactérias”, afirmou a especialista em entrevista à TV Paraíba.
Além das doenças causadas pelo contato direto com a água contaminada, a médica alertou para os impactos que permanecem mesmo após a redução das chuvas. Casas atingidas por enchentes costumam ficar úmidas e com presença de mofo, o que favorece o surgimento de problemas respiratórios.
“A gente fala das outras consequências. Porque a gente fala dos mofos, da umidade, doenças respiratórias relacionadas a isso, arboviroses como a dengue, a chikungunya, que também se aproveita desse ambiente de acúmulo de água, e isso vai acontecer depois de um tempo”, ressaltou.
Outro ponto de atenção, segundo a especialista, é o impacto das enchentes na saúde mental das famílias afetadas. Para Bruna Ávila, as perdas materiais, os deslocamentos forçados e os traumas provocados pelas enchentes também podem gerar consequências psicológicas duradouras.
“As consequências para a saúde mental também, né? Pensando a médio e longo prazo diante de tantas perdas, mortes, traumas, perdas materiais. São consequências muito diversas e muito graves. Por isso que a gente precisa realmente tratar esse tema com muita urgência”, concluiu.
Como realizar a limpeza dos ambientes
Após enchentes, a limpeza adequada dos ambientes atingidos é uma das principais medidas para reduzir riscos à saúde e evitar a proliferação de vírus, bactérias e fungos. Especialistas orientam que, antes de iniciar a higienização, a energia elétrica do imóvel seja desligada para evitar acidentes.
De acordo com João Pedro Fidelis, responsável técnico da rede de limpeza Maria Brasileira ao Jornal da Paraíba, a primeira etapa deve ser uma limpeza superficial, feita apenas com água limpa e detergente neutro. O procedimento deve ser feito em paredes, pisos, móveis e outras superfícies atingidas pela água.
Após essa fase, é necessário fazer a desinfecção do ambiente. Segundo o especialista, o produto mais indicado é a água sanitária à base de hipoclorito de sódio, que deve ser utilizada de forma correta e diluída na proporção de uma parte do produto para nove partes de água. O recomendado é deixar a mistura agir por pelo menos 10 minutos.
O especialista alerta ainda que a água sanitária não deve ser misturada com outros produtos químicos, como desinfetantes, porque a combinação pode gerar gases tóxicos prejudiciais à saúde.
Durante a limpeza, também é importante manter os ambientes ventilados para evitar o surgimento de mofo e excesso de umidade.
“Manter portas e janelas abertas ajuda a reduzir a umidade e evita a proliferação de mofo, comum após enchentes”, explicou João Pedro Fidelis. “Com a retomada gradual das atividades na Paraíba, a higienização adequada dos espaços é uma etapa fundamental para reduzir riscos à saúde e permitir o retorno seguro da população às suas rotinas”, acrescentou.
Os cuidados também devem se estender a roupas, colchões, estofados e outros itens de tecido atingidos pela água. Sempre que possível, a recomendação é descartar materiais muito danificados. Nos casos em que a recuperação for viável, a orientação é lavar os itens com água quente e produtos adequados, além de garantir secagem completa ao sol.
João Pedro Fidelis destacou ainda que ambientes de uso coletivo e unidades de saúde exigem atenção redobrada após enchentes.
“Em locais com maior risco sanitário, como cozinhas industriais, clínicas, hospitais e postos de saúde, o cuidado deve ser redobrado. Equipamentos e estruturas precisam ser higienizados mais de uma vez, e materiais porosos ou muito danificados devem ser descartados”, finalizou.

