Grupo de estudantes responsável pelo projeto TYBYRA. // Foto: Reprodução arquivo pessoal.. Jornal da Paraíba
Um grupo de estudantes paraibanos foi selecionado em um concurso de moda da América Latina, o Dragon Fashion Brasil. Os alunos vão apresentar na competição com uma coleção marcada por elementos de representatividade, ancestralidade e valorização cultural.
LEIA TAMBÉM:
- Estudantes do IFPB criam revista e jogo que ajudam jovens a reconhecer sinais de abuso sexual
- Justiça determina que UFPB e IFPB adotem Lei de Cotas em todos os processos seletivos
O evento acontece entre os dias 9 e 12 de junho na praia de Iracema, em Fortaleza, no Ceará. O festival se consolidou ao longo dos anos como uma plataforma para a valorização da moda independente a partir de desfiles, concursos acadêmicos, exposições, palestras e performances.
Os representates da Paraíba integram o curso de Design de Moda do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).
Na edição de 2026, o festival contará com a participação dos estudantes responsáveis pelo projeto TYBYRA, desenvolvido a partir de uma pesquisa inspirada na trajetória do indígena tupinambá Tibira. A coleção propõe uma releitura da memória do indígena maranhense, morto no século XVII em razão da própria resistência.
Outro destaque do trabalho é a conexão entre a personagem Iracema, da obra de José de Alencar, e a Praia de Iracema, em Fortaleza, onde o festival é realizado. A coleção reúne peças produzidas com técnicas como crochê, macramê e tricotin, utilizadas para representar os diferentes contextos e transformações da praia.
A escolha das cores também foi pensada de forma simbólica pelos alunos, que utilizaram tons de vermelho, roxo e azul para remeter ao território e a sentimentos ligados à espiritualidade, ancestralidade e transformação.
Desenvolvida desde fevereiro, a coleção reúne elementos visuais e emocionais que representam cada integrante da equipe formada pelos estudantes Atlas Ramalho, Ana Clara Clemente, Ana Paula Rosales, Marggory Rodrigues, Elaine Elise e Hilda Josafá, sob orientação da professora Dyana Barreto.
Alunas de moda responsáveis pelo projeto TYBYRA. // Foto: Reprodução Arquivo Pessoal.. Jornal da Paraíba
Ao Jornal da Paraíba, a estudante Ana Clara Clemente explicou que o projeto TYBYRA surgiu a partir da compreensão da carga histórica presente no território retratado pela coleção.
“A coleção parte da ideia de que existem histórias, afetos e existências que o tempo tentou silenciar, mas que continuam ecoando nos corpos, nas cidades e nas formas de criar”, explicou.
Além das referências históricas e culturais, os estudantes também incorporaram à coleção discussões sobre sustentabilidade, tema em evidência no universo da moda. Segundo Ana Clara, as peças foram produzidas com materiais reaproveitados e com o uso do BeLeaf®, composto vegetal desenvolvido a partir da planta conhecida como orelha-de-elefante.
Desenvolvimento do projeto TYBYRA // Foto: Reprodução arquivo pessoal.. Jornal da Paraíba
Segundo os estudantes, a proposta da coleção foi unir simbolismo, experimentação estética e sustentabilidade em peças que dialogam com memória, identidade e reconstrução.
“Buscamos construir peças com camadas simbólicas e materiais e um olhar forte para a sustentabilidade, explorando manualidades, texturas, transparências e experimentações que dialogam com as marcas do tempo, da memória e da reconstrução. Acreditamos que TYBYRA conversa diretamente com a moda contemporânea, que cada vez mais busca narrativas autorais, conexão com o território, identidade e responsabilidade socioambiental”, contou.
Além dos elementos visuais, a coleção também carrega experiências pessoais dos integrantes do grupo. A estudante Hilda Pires contou que a própria trajetória como mulher transexual influenciou diretamente o processo criativo de TYBYRA.
“Digo com propriedade, por ser um corpo transmutado, que esse projeto tem minha essência e minha alma. Todo o processo de criação foi se revelando aos poucos através de pequenos ‘flashes’ vindos da minha comunidade e do meu consumo da cultura local”, detalhou.
Com a coleção finalizada, os estudantes agora se preparam para representar a Paraíba em âmbito nacional durante o festival.
“Queremos, através de TYBYRA, ecoar uma história sobre memória, amor e possibilidade de reconstrução. Honramos essa oportunidade levando para o evento o que pulsa dentro de nós”, finalizou Ana Clara.


