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Os deputados estaduais da Paraíba resolveram copiar o mau exemplo de Brasília e terão apenas uma sessão ordinária em setembro. A decisão, tomada nesta terça-feira (1º) a partir de uma sugestão do deputado Gilbertinho (União), chega justamente na reta final da campanha eleitoral.
É compreensível que deputado tenha agenda política, precise viajar e esteja em busca de votos. Faz parte do jogo eleitoral. O que não parece razoável é transformar a campanha em justificativa para praticamente suspender o funcionamento do Legislativo durante um mês inteiro.
E aqui está uma diferença que não deveria ser ignorada, mas parece ter sido convenientemente deixada de lado.
No Congresso Nacional, deputados federais e senadores representam Estados inteiros e, em muitos casos, têm bases eleitorais a milhares de quilômetros de Brasília. Há parlamentares que precisam atravessar o país para retornar às suas bases. A logística, de fato, é outra.
Na Paraíba, não.
Os deputados estaduais podem ter bases espalhadas pelo interior, mas estão dentro do mesmo Estado em que funciona a Assembleia. É perfeitamente possível conciliar a agenda eleitoral com a atividade parlamentar. Não é uma tarefa simples, evidentemente, mas mandato também é responsabilidade.
Aliás, há uma contradição curiosa nessa decisão. A Assembleia é justamente um dos principais palcos para um deputado mostrar o que fez durante o mandato, apresentar propostas, cobrar o governo, defender suas regiões e prestar contas ao eleitor, ou seja, a atividade parlamentar também pode ser uma vitrine eleitoral.
A situação fica ainda mais difícil de explicar porque a sessão plenária poderia ser, inclusive, um instrumento de campanha, sobretudo num período em que o eleitor está prestes a decidir quem continuará ocupando uma cadeira no Legislativo.
Em vez de tentar conciliar as duas coisas, porém, a maioria preferiu reduzir a agenda da Casa ao mínimo.
E a Paraíba não precisa importar de Brasília o que há de pior na política.
