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Opinião: O pêndulo se moveu

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					Opinião: O pêndulo se moveu

Cenário de sabatinas do Jornal Nacional / Foto: reprodução Globo

O país continua polarizado, mas o início da campanha eleitoral dá sinais de que o pêndulo do debate nacional se moveu um pouco mais para um lado do espectro político brasileiro. As sabatinas ocorridas no Jornal Nacional nesta semana talvez sejam um dos exemplos mais visíveis desse fenômeno.

Com exceção do presidente Lula (PT), que tenta seu quarto mandato no Palácio do Planalto, todos os demais postulantes à Presidência, convidados pela Globo, têm, em maior ou menor grau, uma agenda econômica de viés mais liberal.

Concorde-se ou não com suas ideias, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante) têm apresentado ao público propostas que passam pela responsabilidade fiscal, pela redução da máquina pública, com corte de impostos, incentivo ao empreendedorismo e maior participação da iniciativa privada na economia.

O contraste é evidente com outros momentos da política nacional, em que a maioria dos candidatos defendia aumento de gastos públicos e maior intervenção estatal na economia e na vida do cidadão. Um momento emblemático ocorreu em 2009, quando o presidente Lula, em seu segundo mandato, chamou de “fantástica” a ausência de representantes da direita na esfera do debate para sua sucessão.

Pelo que temos acompanhado em 2026, o “novo normal” desse debate já não é a ideia de que “gasto é vida”, como antes. Agora ganha força a ideia de que os programas sociais são importantes, assim como os investimentos públicos. Mas guiados pelo farol da responsabilidade fiscal. 

O mesmo ocorre com a discussão da segurança pública, em que o debate também virou um pouco mais à direita.

Continua válida a ideia de que as políticas sociais são necessárias para prevenir as pessoas de entrarem no crime. Mas a redução da maioridade penal, o endurecimento de penas e a adoção de uma postura mais combativa contra criminosos passaram a ganhar espaço nos discursos dos candidatos, pois esta é a demanda do cidadão comum. A segurança pública, aliás, é um dos problemas que mais preocupam o eleitor, de acordo com a pesquisa Quaest.

Menos Estado, mais cidadão

E isso não é apenas “sensação” da campanha eleitoral. Uma recente pesquisa do Datafolha indica que chegou a 65% a parcela de brasileiros que concorda mais com a frase “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida”. Do outro lado, a alternativa “quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida” foi escolhida por 31%. Outros 4% não souberam responder.

De acordo com a Folha, na primeira edição da pesquisa, em 2013, as duas posições estavam empatadas: 47% concordavam mais com a menor dependência do governo, e outros 47% adotavam a posição contrária. Os valores se distanciaram de forma consistente com o passar das rodadas feitas pelo instituto em 2013, 2014, 2017 e 2022.

Em 2026, grande parte dos beneficiários pelos programas sociais já não se sentem obrigados a votar no governante de plantão, porque não há favor algum a ser pago.

Para perceber essa mudança de pensamento, não é necessário ir muito longe. Basta entrar em um carro por aplicativo ou em uma padaria da esquina. Conversar com moradores de uma comunidade, nas igrejas ou nas praças. Há uma queixa recorrente entre os pagadores de impostos: os governos cobram muito, entregam pouco e, muitas vezes, transformam em obstáculo aquilo que deveriam facilitar.

Todo mundo conhece alguém que está endividado, que não consegue mais ir de uma comunidade para outra por causa da dominação territorial de facções criminosas ou que já não suporta as promessas fáceis que nunca são cumpridas. São muitos os que passaram a ver o Estado não como um provedor de tudo, mas como uma estrutura que deve dar condições mínimas para que o cidadão obtenha sua própria autonomia e faça seus próprios caminhos.

Os candidatos, agora, precisam responder a novas demandas sociais. E o pêndulo não se moveu por causa de meras classificações ideológicas. Mas porque essas são demandas que ultrapassam os limites da discussão entre esquerda e direita. São reivindicações do cidadão comum.

Cenário da Paraíba

Mesmo na Paraíba, onde o lulismo segue como força política predominante, esse deslocamento do debate também pode ser percebido. Até mesmo nos discursos dos principais candidatos ao Governo do Estado – Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro – essa mudança é percebida. Eles, em maior ou menor grau, dialogam com uma visão mais liberal sobre a administração estadual. 

De acordo com a recente pesquisa Quaest, os principais problemas que afetam a Paraíba, na visão dos paraibanos, são a saúde e a segurança pública. Áreas em que o Estado tem o dever de agir de maneira célere, não somente com a destinação de recursos públicos, mas com a garantia de dar as condições básicas para que a população possa seguir adiante com seus projetos de vida.

A redução de impostos, o combate incisivo ao crime e até as parcerias privadas são exemplos notáveis dessa mudança de paradigma. E talvez essa seja a marca desta eleição: independentemente do resultado das urnas, o debate político já mudou de lugar.

Seja quem for eleito presidente ou governador, terá que governar o país e o Estado sob os caminhos de uma nova realidade do tecido social, e sem o direito legal de frustrar as mais novas expectativas do brasileiro.

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