João Paulo Medeiros
O vereador do município do Junco do Seridó, Roberto Cândido, do União Brasil, expôs semana passada um dos problemas crônicos da democracia brasileira atual – sobretudo nas pequenas cidades: a vinculação entre empregos públicos sem concurso e o voto. Em discurso na Câmara de Vereadores, ele defendeu que o prefeito de Junco obrigue os servidores contratados a votar nos candidatos apoiados pela gestão.
Um verdadeiro absurdo!
“O prefeito é para obrigar mesmo o povo a votar. Eu já disse a ele várias vezes. Chame um por um no seu gabinete e diga: aqui está minha chapa”, disse Roberto Cândido.
O município é administrado por Paulo Fragoso, do PSB, mais conhecido como Doutor Paulo. Ele faz parte da base do Governo Lucas Ribeiro (PP). A cidade, localizada no Sertão paraibano, possui 182 cargos comissionados, 69 contratados por excepcional interesse público e 220 efetivos, de acordo com o Sagres do TCE.
Tem, conforme os números, mais servidores sem concurso que concursados no quadro de pessoal.
João Paulo Medeiros
“Quem é funcionário público, quem está sendo obrigado a ir para o balneário, a vir aqui para frente do comitê, de colocar uma bandeira, uma foto na sua casa, entregue o emprego se estiver insatisfeito. Se estiver embutido, dizendo que é do lado do prefeito e fazendo coisas ao contrário, entregue seu emprego. Não acho justo quem nunca teve uma oportunidade no município, quem nunca teve uma oportunidade de emprego, hoje o prefeito doutor Paulo deu. Acho que quem recebeu pela primeira vez deve ser grato, reconhecer através do voto“, continuou o vereador.
As palavras de Roberto, na tribuna, refletem parte de um pensamento predominante em muitas gestões municipais da Paraíba. E não falo especificamente do Junco, onde o prefeito Paulo não pode ser, claro, responsabilizado pelas opiniões do seu aliado político.
Mas no Estado são mais de 70 mil servidores contratados sem concurso por prefeituras. Um ‘exército’ que tem desequilibrado os pleitos.
Essa relação promíscua entre emprego e voto tem feito, por exemplo, com que candidatos cujos nomes nunca foram sequer estadualizados sonhem com vagas majoritárias a partir das alianças firmadas com prefeitos e lideranças.
É o tão propagado ‘voto de liderança’, um nome moderno dado ao ‘voto de cabresto’ do século passado. Algo que, para o vereador, parece ser normalizado.
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