Jornal da Paraíba
A primeira pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo da Paraíba coloca Lucas Ribeiro (PP) em uma posição confortável na liderança, com 38% das intenções de voto.
Mas talvez o dado politicamente mais interessante esteja logo abaixo dele: Cícero Lucena (MDB) aparece com 19% e Efraim Filho (PL) com 18%. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
É justamente esse empate que tende a mudar a dinâmica da campanha.
Até aqui, Cícero e Efraim mantiveram uma espécie de pacto informal de não agressão. Nos debates, entrevistas e declarações públicas, concentraram as críticas principalmente em Lucas e no governo e evitaram confrontos mais duros entre si. A estratégia tinha uma lógica: numa eventual disputa de segundo turno contra Lucas Ribeiro, um poderia precisar dos votos e do apoio político do outro.
Só que existe um problema anterior ao segundo turno: chegar até ele.
E a pesquisa Quaest mostra que, neste momento, Cícero e Efraim disputam praticamente voto a voto essa vaga. Na pesquisa estimulada, apenas um ponto percentual separa os dois. Na espontânea, ambos aparecem exatamente com 7%.
A partir daí, a convivência confortável fica muito mais difícil.
Para ultrapassar o adversário direto, cada um precisará convencer o eleitor de oposição de que é a alternativa mais competitiva contra Lucas. Não basta mais dizer apenas por que o atual governo deve ser derrotado. Cícero terá de explicar por que é uma opção melhor do que Efraim. E Efraim terá de fazer o mesmo em relação a Cícero.
Isso não significa necessariamente que a campanha vá mergulhar em ataques pessoais. Mas significa que a diferenciação deverá aparecer. Biografia, experiência administrativa, alianças, posições políticas, capacidade de articulação e até contradições dos adversários tendem a ganhar mais espaço.
É uma situação curiosa: Cícero e Efraim precisam preservar pontes para um possível segundo turno, mas, antes disso, precisam disputar entre si quem atravessará essa ponte.
Além disso, ainda há 12% de indecisos na estimulada e, na espontânea, 57% não sabem em quem votar — sinal de que existe um eleitorado significativo ainda em disputa.
Por isso, a campanha provavelmente entra agora em uma nova fase.
A “lua de mel” entre Cícero e Efraim pode ter funcionado enquanto o segundo turno parecia uma discussão para depois. A Quaest antecipou essa discussão. Antes de pensar em como derrotar Lucas Ribeiro no segundo turno, os dois terão primeiro de responder a uma pergunta muito mais imediata: qual deles merece estar lá?
A pesquisa
A Quaest, contratada pela TVs Cabo Branco e Paraíba, realizou 804 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os números: PB-07850/2026 e BR-00699/2026.

